Some things in life are bad They can really make you mad Other things just make you swear and curse When you're chewing on life's gristle Don't grumble, give a whistle And this'll help things turn out for the best And...
...always look on the bright side of life {whistle} Always look on the light side of life {whistle}
If life seems jolly rotten There's something you've forgotten And that's to laugh and smile and dance and sing When you're feeling in the dumps Don't be silly chumps Just purse your lips and whistle - that's the thing
And... always look on the bright side of life {whistle} Come on Always look on the bright side of life {whistle}
For life is quite absurd And death's the final word You must always face the curtain with a bow Forget about your sin - give the audience a grin Enjoy it - it's your last chance anyhow
So always look on the bright side of death Just before you draw your terminal breath Life's a piece of shit When you look at it Life's a laugh and death's a joke, it's true You'll see it's all a show Keep 'em laughing as you go Just remember that the last laugh is on you
And always look on the bright side of life
Always look on the right side of life
Come on guys, cheer up
Always look on the bright side of life...
Always look on the bright side of life...
Worse things happen at sea, you know
Always look on the bright side of life...
I mean - what have you got to lose? You know, you come from nothing - you're going back to nothing What have you lost? Nothing!
Onde você vê um obstáculo, alguém vê o término da viagem e o outro vê uma chance de crescer. Onde você vê um motivo pra se irritar, Alguém vê a tragédia total E o outro vê uma prova para sua paciência. Onde você vê a morte, Alguém vê o fim E o outro vê o começo de uma nova etapa... Onde você vê a fortuna, Alguém vê a riqueza material E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total. Onde você vê a teimosia, Alguém vê a ignorância, Um outro compreende as limitações do companheiro, percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo. E que é inútil querer apressar o passo do outro, a não ser que ele deseje isso. Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar. "Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura."
Para além da curva da estrada Talvez haja um poço, e talvez um castelo, E talvez apenas a continuação da estrada. Não sei nem pergunto. Enquanto vou na estrada antes da curva Só olho para a estrada antes da curva, Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. De nada me serviria estar olhando para outro lado E para aquilo que não vejo. Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. Se há alguém para além da curva da estrada, Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada. Essa é que é a estrada para eles. Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. Por ora só sabemos que lá não estamos. Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva Há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" Heterónimo de Fernando Pessoa
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
"A sovinice é, sem dúvida, um dos sinais mais confiáveis de infelicidade profunda; eu estava tão inseguro de tudo que só sentia possuir de fato aquilo que segurava nas mãos ou na boca, ou aquilo que pelo menos estava a caminho..."
KAFKA, Franz - Carta ao Pai.Porto Alegre: L&PM, 2008, pp. 54.
O sal das minhas lágrimas de amor Criou o mar que existe entre nós dois Para nos unir e separar Pudesse eu te dizer A dor que dói dentro de mim Que mói meu coração nesta paixão Que não tem fim Ausência tão cruel Saudade tão fatal Saudades do Brasil em Portugal
Meu bem, sempre que ouvires um lamento Crescer desolador na voz do vento Sou eu em solidão pensando em ti Chorando todo o tempo que perdi
Esta música está sendo bastante significativa para mim aqui em Portugal. Cada vez que a escuto fico um pouco mais contente. Além disso, a letra também encaixa bastante comigo neste momento. Por isso, vai aí clipe e letra de YOU ONLY LIVE ONCE, The Strokes.
Oooooh Some people think that are always right Others are quiet and uptight Others they seem so very nice nice nice nice nice oh oh In fact they might feel sad and wrong
Oh no twenty nine different atributes And only seven that you like, oh oh twenty ways to see the world, oh oh Or twenty ways to start a fight oh oh
Oh don't dont don't Get out! shh-shh-shh...I can't see the sunshine I'll be waiting for you baby 'Cause I'm true Sit me down Shut me up I'll calm down And I'll get along with you
Ooooooo-ooooo-ooooooh A man don't notice what they got oh Women think of that a lot one thousand ways to please your man oh oh Not even one requires a plan, i know Countless odd religions too It doesn't matter which you choose a stubborn way to turn your back oh, this I've tried and now refuse
Oh don't don't don't Get out! shh-shh-shh...I can't see the sunshine I'll be waiting for you, baby 'Cause I'm true Sit me down Shut me up I'll calm down And I'll get along with you
Alright.. Shut me up Shut me up up up up up And I'll get along with you...
Posto aqui vídeo e letra desta música que o Gilberto Gil compôs para sua esposa, a quem chamava carinhosamente de Drão. Diz-se que ele compôs a música em um momento de crise do seu casamento que quase o levou a separação. Emocionante!!!
DRÃO (Gilberto Gil)
Drão! O amor da gente É como um grão Uma semente de ilusão Tem que morrer pra germinar Plantar nalgum lugar Ressuscitar no chão Nossa semeadura Quem poderá fazer Aquele amor morrer Nossa caminhadura Dura caminhada Pela estrada escura...
Drão! Não pense na separação Não despedace o coração O verdadeiro amor é vão Estende-se infinito Imenso monolito Nossa arquitetura Quem poderá fazer Aquele amor morrer Nossa caminhadura Cama de tatame Pela vida afora
Drão! Os meninos são todos sãos Os pecados são todos meus Deus sabe a minha confissão Não há o que perdoar Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão Quem poderá fazer Aquele amor morrer Se o amor é como um grão Morre, nasce trigo Vive, morre pão drão! drão!
Acabo de retornar do Santuário de Fátima e essa viagem foi tão boa pra mim que mudou totalmente meu ânimo para continuar minha vida aqui em Portugal até o dia de meu retorno ao Brasil. Hoje, que seria o dia em que deveria ter chegado de meu regresso prematuro, calhou de ser o dia em que finalmente consegui visitar Fátima. O dia: Sexta-feira, 13 de novembro de 2009. Dia que ficará registrado na minha memória para sempre.
Visitei o santuário novo e a Igreja antiga. Visitei a capelinha da aparição de Nossa Senhora de Fátima. Visitei a casa da Irmã Lúcia e os locais onde os pastorinhos viram o Anjo do Senhor. A cidade estava vazia e deu para aproveitar cada minuto da visita devotamente. Um silêncio respeitoso acompanhava os peregrinos que hoje faziam sua visita. Justamente num dia 13. Dia marcado pelas aparições de Nossa Senhora a Lúcia, Jacinta e Francisco. Foi demais!!!!
No regresso, uma música que já conhecia despertou ainda mais minha atenção. Ela exprimia o ânimo com o qual voltava de Fátima e que irei manter até o fim. Daqui por diante será meu lema que lembrarei todos os dias, junto com o "Jogo do Contente". Só Ele mesmo para mudar nossa vida e nos dar o ânimo para enfrentar os problemas.
Tudo que nós já vivemos. Tudo que vamos viver. Ele é quem sabe o motivo. Ele é quem pode dizer. Ele é quem sabe a verdade. Ele é quem mostra o caminho.
E quem procura por Ele, não vive sozinho. Ele é o pão e o vinho. Ele é o princípio e o fim. Ele é o Rei e o cordeiro. Ele é o não e o sim.
Ele só quer alegria, risos e felicidade. E paz na terra aos homens de boa vontade.
Vamos cantar parabéns pra Jesus, comemorar parabéns pra Jesus. Nos abraçar nessa noite feliz. Em que o amor ascendeu sua luz.
Vamos cantar parabéns pra Jesus, comemorar parabéns pra Jesus. Nos abraçar nessa noite feliz. A estrela guia do céu nos conduz. Parabéns pra Jesus.
Ele é o melhor amigo. Ele é o pai e o filho. Ele é maior do que a morte. É o destino e o trilho. Ele é carinho mais doce. Ele é a flor e a semente.
Ele é quem sabe o que existe aqui dentro da gente. Ele é a água mais pura. Ele é o sol e o luar. Ele venceu o deserto e andou nas águas do mar.
Ele é o mestre dos sábios. Ele é o Rei e o Senhor. Ele por mim deu a vida, em nome do amor.
Vamos cantar parabéns pra Jesus, comemorar parabéns pra Jesus. Nos abraçar nessa noite feliz. Em que o amor ascendeu sua luz.
Vamos cantar parabéns pra Jesus, comemorar parabéns pra Jesus. Nos abraçar nessa noite feliz. A estrela guia do céu nos conduz.
Realizei uma avaliação física na academia e os resultados foram muito melhor do que o esperado. Começarei meu programa com exercícios aeróbicos e hidroginástica pra somente depois pegar pesado, se for o caso. O objetivo é ganhar condicionamento físico e perder algum peso. Voltar ao Brasil pesando 10kg menos seria excepcional. Melhor ainda se o peso voltasse a casa dos dois dígitos. Aí seria simplesmente fantástico.
Alô meu Deus, fazia tanto tempo que eu não mais te procurava. Alô meu Deus, senti saudades tuas e acabei voltando aqui. Andei por mil caminhos e, como as andorinhas, eu vim fazer meu ninho em tua casa e repousar. Embora eu me afastasse e andasse desligado, meu coração cansado, resolveu voltar.
Eu não me acostumei, nas terras onde andei. Eu não me acostumei, nas terras onde andei..
Alô meu Deus, fazia tanto tempo que eu não mais te procurava. Alô meu Deus, senti saudades tuas e acabei voltando aqui. Gastei a minha herança, comprando só matéria, restou-me a esperança de outra vez te encontrar. Voltei arrependido, e volto convencido, meu coração ferido que este é o meu lugar.
Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater, mas o estrago que faz a vida é curta pra ver... Eu pensei.. Que quando eu morrer vou acordar para o tempo e para o tempo parar: Um século, um mês, três vidas e mais um passo pra trás? Por que será? ... Vou pensar.
- Como pode alguém sonhar o que é impossível saber? - Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer e isso, eu vi, o vento leva! - Não sei mais sinto que é como sonhar que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer... E isso por que? Diz mais! Uh... Se a gente já não sabe mais rir um do outro meu bem então o que resta é chorar e talvez, se tem que durar, vem renascido o amor bento de lágrimas. Um século, três, se as vidas atrás são parte de nós. E como será? O vento vai dizer lento o que virá, e se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão, se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar... Ah!!!
Acabo de colocar no ar um novo blog onde pretendo relatar todos os detalhes da minha viagem ao Porto, desde o dia em que decidi me inscrever no Programa de Mobilidade Ibérica, que me premiou com a bolsa da viagem, até o meu retorno ao Brasil, em Março/2010. Quem quiser acompanhar os detalhes, é só visitar http://historiadornoporto.wordpress.com
Eventualmente continuarei postando por aqui também.
Causou-me certa surpresa o fato de não ter visto repercussão sobre notícia veiculada nessa Folha no último dia 20/06 alertando que, segundo a ONU, a fome atingirá cifra de 1 bilhão de pessoas no mundo. É uma verdadeira vergonha existir fome neste planeta quando sabemos que a produção mundial de alimentos é mais do que suficiente para alimentar as pessoas que o habitam. Pior ainda é ver que a justificativa apontada para esse aumento do número de famélicos, a atual crise financeira, não se sustenta. A FAO diz que os países colaboradores cortaram ou reduziram a ajuda em função da crise, e que o orçamento necessário para manter seus programas e metas de diminuição da fome ser de US$ 6,5 bilhões.Ora, essa cifra chega a ser irrisória quando comparada a trilionária ajuda que governos dos EUA e Europa vêm anunciando desde meados de 2008, quando do início dessa mesma crise.
Faço minha as palavras do saudoso professor Milton Santos, que nos dizia que a fome neste planeta é, ao fim e ao cabo, uma questão de decisão. Simplesmente decidiu-se que um sexto da humanidade deve passar fome para manter esse sistema injusto e essa forma de vida esbanjadora, incompatível com o planeta.
PMs batem em estudantes da USP após conflito causado por decisão da incompetente reitora Suely Vilella em autorizar entrada da Polícia no Campus do Butantã.
Inquietações sobre a arte ou a estupidificação do ser humano
Que a arte é indispensável não apenas na formação do ser humano, mas para a sua própria existência e pertinência a tal gênero, creio não haver quem negue. Contudo, difícil mesmo é encontrar uma definição geral de arte que atenda as necessidades do gênero humano e exclua aqueles que se usam dela para estupidificar as pessoas.
Já faz uns vinte anos que os Titãs, de Arnaldo Antunes, cantavam uma música que clamava a necessidade da arte na vida das pessoas. Uma de suas estrofes dizia com todas as letras que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Porém, me é impossível não refletir, toda vez que escuto esta música, até que ponto essa nossa “arte” não se transformou em mera diversão ou, melhor dizendo, entretenimento no sentido mais estrito que essa palavra possa ter, isto é, entreter. Fico a me perguntar o quanto dessa arte, da qual tanto necessitamos, não foi transformada naquele circo da famosa máxima romana Panis et Circenses.
Em uma crônica de 1925 o poeta Manuel Bandeira considerava um ato digno de heroísmo a realização de concertos no Rio de Janeiro em um “meio que vai-se tornando cada vez mais adverso a tudo que é arte!..” Claro que é muito difícil é chegarmos a um consenso do que é arte, mas para Manuel Bandeira estava muito claro aquilo que não era. Para ele, “a invasão do ‘morbus’ ‘fox-trot’ alucinou a nossa população. Desviou-a do caminho que conduz a civilização. Desorientou-a com a liberdade expressiva tolerada por uma sociedade que só pensa em diversões...”. Fico imaginando o que ele pensaria, se vivo estivesse, do famigerado Funk Carioca...
Aqui, não vamos cair no mesmo engano do saudoso poeta de querer indicar qual é o caminho para se atingir a civilização ou se tal ou qual expressão da arte é mais ou menos civilizada (com exceção do funk, já criticado). Mesmo porque, não creio que a arte e a civilização européia sejam modelos a serem copiados, como parecia pensar o poeta. Não é esse o mérito que estou buscando refletir nessa crônica. O que me chama atenção na passagem de Bandeira é justamente o diagnóstico de uma sociedade que só pensa em diversões. Eis o que para ele, e para mim também, nos separa da arte. O quanto, hoje, podemos dizer que tal ou qual arte são, verdadeiramente, expressões de um sentimento genuinamente humano e não meros produtos criados para entreter e, sobretudo, vender?
Óbvio, não tenho resposta para esta questão. Mas parece-me que nesses setenta e poucos anos que separam o texto de Bandeira e o meu, é nítido que houve um investimento maciço de recursos na criação de uma indústria artística que parece ter sido criada apenas para a diversão das gentes. Não que não precisemos de diversão, aliás gosto muito de muitas delas, mas e aquela arte de que a gente também precisa e a música clamava. Onde é que está ela?
É difícil não poder concluir essa crônica tal como Bandeira, que pensava na música erudita como um meio de atrair “uma parte dos fascinados pelos sports, pelos cinemas e pela dança licenciosa”. Triste é concluir que sequer isso podemos mais clamar em função da vitória dessa sociedade fascinada por distrações. É evidente que a música erudita teria papel relevante nessa tarefa, mas em uma sociedade onde a lista das fascinações só fez aumentar com a chegada de novas e mais eficientes tecnologias de diversão e entretenimento como a televisão e a internet, dentre outras, e a qualidade da educação só fez decair, talvez seja mais realista pensarmos que hoje não tenhamos cultura suficiente sequer para clamar por música erudita, como queria Bandeira, ou por arte, como cantavam os Titãs. Hoje queremos apenas pedir pelo mínimo. Queremos apenas pedir por uma educação de qualidade. É só!!!
Ontem enviei um email à folha e ao colonista Jorge Coli arabenizando-os pelo texto Inteligência e Afeto publicado neste último domingo no Caderno Mais da Folha. Como aluno de graduação do curso de História da USP, afirmo que o mesmo processo descrito por ele para os cursos de Letras está se dando com outros cursos universitários do nosso país, como é o caso do curso de História. Todos os dias vejo alunos que sairão deste curso sem jamais terem lido completamente obras referenciais dos principais autores da nossa história (Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Jr.), ou da história mundial (Marc Bloch, Fernand Braudel, Jacques Le Goff, Eric Hobsbawn e outros). Lerão, sim, um ou alguns capítulos de uma ou outra obra destes autores, e não por afeto, mas por estes serem indicados pelos professores na bibliografia obrigatória do curso.
Além de desestimulada, cada vez mais o tempo necessário para a leitura interessada tem ficado escasso. Se é certo que um dos problemas deve-se ao fato de muitos alunos trabalharem enquanto estão se graduando, também contribui para essa "falta de tempo" o fato de muitos alunos serem incentivados a buscar, precocemente, uma leitura mais específica em torno do tema que pretendem seguir carreira nas próximas fases de sua vida acadêmica (mestrado e doutorado). Cada vez mais alunos do 3o. e 4o. ano da graduação são vistos pelos corredores formulando as bases dos seus projetos de mestrado ao invés de seguir na leitura básica em função de uma formação mais sólida.
Entendo que a velocidade com que se pretende titular novos pesquisadores, talvez por pressão da legislação vigente, com suas metas e notas baseadas na quantidade de pesquisas entregues pelas universidades, têm substituído uma formação sólida e baseada no prazer por outra muito menos teórica e embasada, voltada apenas a atender essa legislação que mede quantitativamente a produção acadêmica. Como bem disse Coli, todo este processo acaba por esterelizar o prazer da leitura. Pior, acabam diminuindo o conhecimento e capacidade analítica das nossas próximas gerações de historiadores, já que "apenas essa frequentação [dos livros] conduz ao saber mais profundo, em grande parte intuitivo e silencioso."
Para ter uma ideia mais completa do que estou falando, clique aqui para conferir a coluna deste último domingo de Jorge Coli na Folha de S.Paulo.
Eis que, sem querer, encontrei uma aula de História já prontinha em forma de música. Nem precisa de comentários, né? Salve Jorge!
Zumbi Jorge Ben Jor
Angola Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo Aqui onde estão os homens Há um grande leilão Dizem que nele há Um princesa à venda Que veio junto com seus súditos Acorrentados num carro de boi Eu quero ver Eu quero ver Eu quero ver Angola Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo Aqui onde estão os homens Dum lado cana de açúcar Do outro lado o cafezal Ao centro senhores sentados Vendo a colheita do algodão tão branco Sendo colhidos por mãos negras Eu quero ver Eu quero ver Eu quero ver Quando Zumbi chegar O que vai acontecer Zumbi é senhor das guerras È senhor das demandas Quando Zumbi chega e Zumbi É quem manda Eu quero ver Eu quero ver Eu quero ver
Você conhece o Skoob? Ainda não??? É bem provável que você, leitor deste blog e meu amigo, tenha acabado de receber um convite meu para entrar nessa rede social de leitores. O nome vem da palavra livros, em inglês e ao contrário. Trata-se de um site que permite ao usuário compartilhar não apenas suas leituras, mas também suas avaliações dos livros, fazer e compartilhar resenhas, curtos comentários ou, se preferir, escrever históricos de leitura adicionando notas específicas das páginas. Trata-se de um orkut dos livros lidos pelos usuários.
Mais do que simplesmente compartilhar leituras e opiniões, o site traça uma rede dos usuários que leram cada livro cadastrado e mostra a você todos os outros usuários que leram o mesmo livro que você. Há opções que permitem ao usuário que ele veja o que seus amigos andam lendo e, mais interessante ainda, opções que possibilitam ao usuário se cadastrar como seguidor de algum outro usuário/leitor. Digo que é mais interessante porque deve ser animador para o ego ter uma lista de usuários que tenham se cadastrado como seus seguidores, não é?
Recomendo bastante que vocês entrem e vão cadastrando os livros que vocês leram. Não precisa ser todos, comece pela última leitura e vá vendo quantos dos usuários cadastrados já o leram e o que alguns disseram sobre aquele livro. Caso ninguém tenha lido o livro, você pode cadastrá-lo e ser o primeiro a opinar. O endereço do site é http://www.skoob.com.bre é só entrar pra aprender a ir usando e compartilhando suas leituras. Boa Sorte!
Demorou a passar, mas em fim, chegamos à quarta-feira de cinzas. Graças ao bom Deus, não vi nada sobre o carnaval este ano, já que me escondi nas montanhas mineiras ouvindo o bom e velho rock n' roll de sempre. Isolamento propício para reflexões sobre o futuro próximo.
De volta ao lar na frenética Sampa, finalmente chegou o tempo de tomar decisões. Decisões adiadas por quase 18 meses, mas que sabia que em um momento teria que tomá-las. Parece que voltei aos meus 17 anos, quando tinha que escolher a profissão e começar a nova vida diante dos muitos caminhos que se abriam à minha frente. Novamente cheguei diante da mesma encruzilhada e me é dado a oportunidade de escolher mais uma vez. Vários caminhos possíveis e só posso escolher um. Qual deles será? O fácil e largo ou o difícil e estreito?
Aqui vai mais um post ainda sob impacto do texto machadiano. Após a leitura recente de uma coletânea de contos classificados como 'filosóficos', encontrei um que mostrou uma preocupação de Machado que, sinceramente, eu não esperava encontrar. Escrito em 1887 e publicado na Gazeta de Notícias sob o título de 'Eterno', Machado trata neste conto de um assunto ainda muito caro aos historiadores de hoje, que é o problema da História do Presente. Apesar de não ser este o foco do seu conto, que se dedica à questão do tempo e da subjetividade (além da subjetividade do tempo), em um determinado trecho o narrador da história tenta se desculpar pela indiscrição de escrever suas memórias e citar as pessoas que ainda estão vivas e podem sentir-se embaraçadas com o seu texto. A desculpa do narrador é que já se passaram 27 anos desde que os fatos aconteceram e que o tempo se encarregará de transformar as indiscretas memórias em documento histórico. Vejam o trecho que ao qual me refiro abaixo:
Trecho extraído de 'ETERNO' em Contos de Machado de Assis: Filosofia (vol. 3) Rio de Janeiro: Record, 2008. Pgs. 177-190 "Confio do tempo, que é um insigne alquimista. Dá-se lhe um punhado de lodo, ele o restitui em diamantes; quando menos em cascalho. Assim é que, se um homem de Estado escrever e publicar as suas memórias, tão sem escrúpulo, que lhes não falte nada, nem confidências pessoais, nem segredos do governo, nem até amores particularíssimos e inconfessáveis, verá que escândalo levanta o livro. Dirão, e dirão bem, que o autor é um cínico, indigno dos homens que confiaram nele e das mulheres que o amaram. Clamor sincero e legítimo, porque o caráter público impõe muitos resguardos; os bons costumes e o próprio respeito às mulheres amadas constrangem ao silêncio...
... Mas deixai pingar os anos na cuba de um século. Cheio o século, passa o livro a documento histórico, psicológico anedótico. Hão de lê-lo a frio; estudar-se-á nele a vida íntima do nosso tempo, a maneira de amar, a de compor os ministérios e deitá-los abaixo, se as mulheres eram mais animosas que dissimuladas, como é que se faziam eleições e galanteios, se eram usados xales ou capas, que veículos tínhamos, se os relógios eram trazidos à direita ou à esquerda, e multidão de coisas interessantes para a noss história pública e íntima."
Agora que já passou o frisson dos 100 anos da morte de nosso maior escritor, acho que posso fazer uma citação de mais um conto GENIAL dele. O conto chama-se "Idéias de Canário" e foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias em 15-11-1895 com o título de "Que é o Mundo?". O conto narra a história fantastica de um homem que encontra um canário numa loja de belchior (brechó) e, desde seu primeiro encontro, passa a travar um diálogo com o mesmo que passa a descrever o que é o mundo a partir de seu ponto de vista e em diferentes situações. Logo no primeiro encontro, a definição que o canário dá ao professor é:
"O mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira."
Depois ele vai dando outras definições e é aí que está o encanto e o segredo do conto: o fato de a percepção da realidade ser subjetiva, isto é, depender não apenas dos olhos do observador, mas também de sua situação de momento. Assim, não há uma única realidade, nem mesmo uma para cada pessoa/animal, mas várias, durante uma única vida. É isso aí, é Machadão seguindo a linha de Descartes e fazendo a Matrix mesmo antes da Matrix.
Com todo o justo sucesso do Curioso Caso de Benjamin Button nos cinemas, resolvi comprar o livro recém reeditado e lançado pela José Olympio Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias, de F. Scott Fitzgerald. Para os desavisados, este é o livro onde saiu originalmente o conto O Curioso Caso de Benjamin Button que deu origem ao filme homônimo estrelado por Brad Pitt.
Minha curiosidade era tamanha que, logo após comprar o livro e chegar em casa, já fui ler o conto e verificar se ele era mesmo tão bacana quanto o filme o fazia parecer. Para minha surpresa, e acho que esta é a primeira vez que isso acontece, devo admitir que o filme é muito melhor que a obra literária. Ao que parece, o roteirista do filme aproveitou apenas o nome do personagem e a idéia central do conto para fazer a versão cinematográfica, no mais, as histórias são completamente diferentes. Até mesmo o período em que ocorrem, o nascimento de Button, as paixões de sua vida, enfim, tudo, é muito diferente. O conto além de fantástico e cômico, tem também um tom irônico/sarcástico, mas me pareceu bem menos profundo do que o filme. Este sim, além de ser, como dizem, uma fabula sobre o tempo, nos faz refletir sobre temas como as oportunidades perdidas, o arrependimento pela não ação e otras cositas más.
A quem não viu o filme, recomendo-o fortemente. Aproveitem e levem um lenço para enxugar as lágrimas que, mesmo sem querer, acabam escapando no decorrer do filme. A quem está curioso para ler o conto, também recomendo-o, mas com estas ressalvas. Seria melhor ler o conto primeiro para ver o filme em seguida, caso contrário a decepção pode parecer ainda maior.
PS: Saiu também uma versão do Curioso Caso de Benjamin Button em quadrinhos. Essa versão é bem fiel ao conto literário e não deixa nada a desejar a esta. Àqueles que preferem quadrinhos, acho melhor ver o conto através deles, pois ali ele ganha uma roupagem mais atraente do que o conto em sua versão puramente literária.
Pois é, nessa segunda-feira saiu mais um comentário meu na seção Painel do Leitor na Folha de S.Paulo. Desse jeito vou me acostumar e pedir mais espaço para ter uma coluna só minha.
Leitor do Perfect Sense leu primeiro, já que o publiquei originalmente aqui antes de enviá-lo a Folha.
O Gilberto Dimenstein deu destaque em sua coluna dominical na Folha de S.Paulo que3.000 professores tiraram nota zero no teste aplicado pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo para medir o nível de conhecimento sobre o que eles ensinam em sala de aula. A prova foi realizada por 214 mil professores, dos quais apenas 111 tiraram a nota máxima. Ainda não se fez uma tabulação, mas se estima que cerca de metade ficou abaixo da nota cinco.
A questão não se resolve apenas ao apontar o óbvio ululuante que é o absurdo da situação, já velha conhecida de todos: a falta de preparo do professor das escolas públicas. Cabe a todos na sociedade, em especial a esses jornalistas que acompanham a educação mais de perto, investigar como o governo do Estado de São Paulo vem agindo para mudar a situação e cobrar das autoridades atitudes e medidas para reverter o quadro. Nos últimos 12 anos de governo tucano não vejo nenhuma ação eficaz do governo para com os professores do estado visando combater essa nefasta realidade. Infelizmente!
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo nesta última sexta-feira, José Sarney discorreu sobre as dificuldades com que se deparou ao fazer uma lista com os dez livros que mais haviam marcado sua vida. Para encabeçar o texto elegeu o provocante título "A Arte de Escolher". A mim, pobre mortal, após ler o texto e ainda sob impacto do título, restou apenas uma dúvida: não seria mais apropriado a nosso imortal um artigo que versasse sobre a arte de ser escolhido? Afinal de contas, nisso aí ele tem vaaaaaasta experiência.
Retiro parcialmente o que eu disse: o fato de eu ter lido o livro antes de ver o filme estragou um pouco meu prazer ao assistir a obra, já que há surpresas reservadas para o fim do mesmo. De qualquer modo, recomendo totalmente tanto livro quanto filme. Foram muito bem feitos e a Kate Winslet realmente está muito bem no papel de Hanna Schmitz, merece mesmo indicação ao Oscar. Curioso é o fato de que ela não era a atriz originalmente escolhida para o papel, mas sim Nicole Kidman.
As férias estão sendo bem proveitosas com relação a leituras, seja de livros específicos de história ou de livros para "descanso", como costumo chamar. Devo ter livro mais de dez livros desde meados de dezembro, quando se iniciaram as férias, até o começo de fevereiro. Não digo isso porque queira me gabar, mas tenho um bom sentimento quando vejo que aproveitei bem minhas férias. Especialmente porque junto a toda essa leitura, também recordo que assisti a muitos filmes, talvez o mesmo tanto de livros que tenha lido.
Por falar nisso, o livro que estou lendo agora une justamente essas duas artes: cinema e literatura. O Leitor, de Bernhard Schlink, deve estrear aqui no Brasil nessa sexta-feira, dia 06/02. Minha intenção é terminar a leitura antes de ir assistir ao filme, uma vez que assistí-lo antes de lê-lo estragaria muito mais a surpresa do livro do que o contrário, penso eu, que tenho mais prazer na leitura do que no cinema.
Outras leituras que fiz que juntam esses dois mundos foram Gomorra, O Curioso Caso de Benjamin Button e O Menino de Pijamas Listrados.
PS: Numa dessas perambuladas que dou quase diariamente nas livrarias, vi que saiu em livro o Operação Valquíria, estreado por Tom Cruise nas telonas. Será que vou me interessar por ele também? Curioso notar o lançamento de muitas obras, tanto no cinema quanto na literatura, com o nazismo e a II Guerra Mundial como pano de fundo. Terão alguma relação com a situação atual dos judeus e a questão palestina? Será que querem rememorar a todo tempo o holocausto? Perguntas que incomodam...
Nos últimos tempos tenho aproveitado melhor minha assinatura da Folha de S.Paulo e lido praticamente todos os dias o jornal supracitado. Mais do que isso, eventualmente, quando surge alguma notícia, artigo ou texto que valha a pena, tenho enviado comentários ao jornal. No último mês enviei dois e tive a satisfação de vê-los publicados nos jornais do dia 05/01 e 02/02.
O primeiro, apesar de não gostar da Eliane Catanhêde, fui obrigado a concordar com seu texto que versava sobre o fato de o Maranhão ser um estado rico, mas que toda essa riqueza, infelizmente, não retorna para os moradores do respectivo estado. Já o segundo, é o reconhecimento pela iniciativa do governo do Estado de São Paulo em transformar a casa das retortas, no centro da cidade, no museu de História de São Paulo. Para ver os comentários na íntegra, clique nos links abaixo.
Ao publicar em seu blog a imagem que reproduzo abaixo, George Bourdoukan nos pergunta quem é, afinal de contas, a nação terrorista nessa última contenda. Veja e reflita você mesmo.