FIM DE UM BLOG

Depois de oito anos escrevendo textos para este blog, decidi parar de atualizá-lo. Acho que ele cumpriu sua função e acompanhou muitas mudanças em minha vida. Quando comecei a escrever por aqui, em 2003, ainda trabalhava na área de T.I. e criei e mantive este blog mais como uma fuga de minha frustração por trabalhar em uma área que detestava, negligenciando a carreira que sempre quis fazer, História. Neste período, entre 2003 e 2006, é possível observar muitos textos e atividades que desenvolvia e que registravam bem essa minha necessidade de fuga de uma realidade que não gostava: poesias, cursos extra-curriculares fora da área, acompanhar shows de uma banda que estava nascendo e crescendo, enfim, atividades que curti muito e que aparecem registradas aqui com bastante carinho.

Contudo, depois de muito adiar, em 2005 decidi prestar vestibular e fui aprovado para o ingresso no curso de História em 2006, não imaginava que dali para frente minha vida mudaria completamente com esta decisão. O legal é que, a partir deste momento, este blog tornou-se não só um local onde eu registrava meus pensamentos sobre os acontecimentos no Brasil e no mundo, mas também, em especial, um local que contém o registro das mudanças que ocorreram em minha vida: a saída da Unilever, a semana de meu casamento, minha viagem a Portugal, minha separação, minhas viagens recentes a Cuba, Bolívia e Peru, enfim, mudanças que revelam bastante sobre mim.

Pensei em excluir o blog e, junto com ele, todos estes textos que produzi entre 2003-2011, mas como bom historiador, não posso fazer isso. Não posso apagar esses registros de minha própria história. Como um colega de Unilever certa vez me disse, em pouco tempo os historiadores passarão a utilizar Blogs como fonte de pesquisa sobre a vida de seus pesquisados. É verdade, mas não só os blogs!!! Por enquanto, deixo todo este conteúdo ainda público, mas quero ver se encontro uma maneira de salvá-lo e manter cópia de todos esses textos em meu computador.

Um blog termina e outro começa. Nada mais justo do que, no ano em que me tornei historiador, criar um novo blog para publicar textos com um perfil bastante diferenciado do que os que foram publicado por aqui. É o HUM HISTORIADOR. Para quem acompanhava este blog e quiser me seguir até meu novo endereço, basta clicar no link ao lado.



Escrito por Roger às 21h58
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AH! AS POLÊMICAS DE MICHAEL MOORE

A FOLHA de S.Paulo destacou documentário sobre as polêmicas de Michael Moore que vão ser apresentadas hoje no CULTURA DOCUMENTÁRIOS. O filme, intitulado "Fabricando Polêmica - Desmascarando Michael Moore" (2007), foi dirigido por Debbie Melnyk e Rick Caine.

Segundo a Folha, durante a turnê de lançamento de "Fahrenheit 9/11" (2004), a dupla foi atrás do mais famoso documentarista norte-americano e detectou fraudes e manipulações em filmes dele, como "Tiros em Columbine" (2002) e "Roger e Eu" (1989). Neste último, por exemplo, Moore retratou Roger Smith, o chefe da General Motors, como um homem poderoso e avesso a entrevistas, mas Melnyk e Caine mostram que Moore de fato conseguiu entrevistá-lo na época, entre outros truques inventados pelo cineasta para polemizar nos longas.



Escrito por Roger às 16h45
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POLÍCIA É SINÔNIMO DE SEGURANÇA?

Pra quem acha que Polícia é sinonimo de segurança, veja o que aconteceu na região dos Jardins, que é uma das mais bem policiadas de São Paulo.

Estudante é baleado após tentativa de assalto nos Jardins

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO "AGORA" - O estudante de comércio exterior do Mackenzie Júlio Bolognesi Sommerhauzer, 21, foi baleado anteontem após reagir a uma tentativa de assalto nos Jardins (zona oeste).

Segundo a Polícia Civil, o estudante foi abordado após estacionar seu carro.

Lutador de jiu-jítsu, ele tentou imobilizar o assaltante, que atirou ao menos quatro vezes, segundo testemunhas.

Um dos tiros atingiu o tórax, perfurou o diafragma e alcançou o estômago.

O ladrão conseguiu fugir.

Sommerhauzer passou por uma cirurgia no hospital Sírio-Libanês. Segundo boletim médico, ele está consciente e seu estado de saúde é estável.



Escrito por Roger às 16h55
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História Mundial da Roupa

Ótima indicação do caderno Ilustrada deste último domingo, o História Mundial da Roupa é um livro de Patrícia Anawalt, editado pela Senac. Seria uma ótima pedida para a Festa do Livro da USP se não tivessem adiado.

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Livro traça mapa-múndi da história das roupas

Obra registra evolução e códigos da vestimenta de todos os continentes

Volume mostra como fluxos migratórios, clima e religião ajudaram a difundir técnicas e adereços

VIVIAN WHITEMAN
DE SÃO PAULO

A globalização dos modos de vestir não é um fenômeno do mundo contemporâneo, mas uma tendência que nasceu quando os primeiros humanos descobriram como criar tecidos rudimentares a partir de fibras vegetais e cobrir o corpo com peles.

Partindo dessa tese, o livro "A História Mundial da Roupa" analisa as relações entre trajes e adereços tradicionais de várias partes do mundo.

Com uma pesquisa apurada e mais de mil imagens e ilustrações, a obra de Patricia Rieff Anawalt, diretora do Centro de Estudos de Indumentária do Museu Fowler (Los Angeles), pretende traçar uma rede de influências e mostrar como certas peças e padrões sobreviveram ao tempo e aos modismos.

Num projeto ambicioso, ela dividiu o mundo em dez áreas de "estilo": Oriente Médio, Europa, Ásia Central, Ásia Oriental, Ásia Meridional, Sudeste Asiático, Oceania, América do Norte, América do Sul e África.

Cada capítulo inclui subdivisões. Na parte sul-americana, por exemplo, há páginas dedicadas somente aos índios amazônicos.

REDES DE ESTILO

Destacando dados geológicos e antropológicos, a autora mostra, por exemplo, como os recorrentes fluxos migratórios da África em direção ao Oriente ajudaram a espalhar hábitos e técnicas de tecelagem desde os primórdios da civilização.

Outros fatores, como questões climáticas e religiosas, também entram em jogo na explicação da gênese e da difusão de adereços como os lenços -usados em diferentes culturas como enfeite, proteção e índice de recato.

O livro revela ainda como o impacto visual da roupa (suas cores, materiais e técnicas artesanais) desde sempre esteve ligado a rituais de passagem, como nascimentos e casamentos.

Há curiosidades muito interessantes. Os bordados florais, por exemplo, comuns nos trajes folclóricos do Leste Europeu, seriam um derivado de imagens pré-históricas de deusas da fertilidade.

A figura das deusas muitas vezes era representada com silhuetas de tronco largo e braços feito galhos, as chamadas árvores da vida. Nessas árvores, surgiram desenhos que davam destaque a padrões de flores e plantas, que mais tarde passaram a aparecer sozinhos.

Ao folhear o livro, é claro, saltam aos olhos as diferenças da indumentária usada por povos como os esquimós do Ártico e os nômades da África Central.

Porém, o que emerge desse caldeirão de dados e imagens não é uma colcha de retalhos, mas um sistema grandioso: a vestimenta como um dos códigos de comunicação mais antigos e importantes na história da civilização.

A HISTÓRIA MUNDIAL DA ROUPA

AUTOR Patricia Anawalt

EDITORA Senac

QUANTO R$ 175 (608 págs.)



Escrito por Roger às 16h08
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BOLÍVIA E PERU

O mês de Julho de 2011 ficará na minha lembrança para sempre como aquele em que realizei o sonho de conhecer Machu Picchu. Visitar a Bolívia e o Peru, mesmo com pouco dinheiro, foi ótimo e talvez esta viagem não ocorreria se não tivesse sido neste exato momento.

Antes de chegar em Machu Picchu, fizemos inúmeras paradas para conhecer outros lugares. La Paz, Tiwanaku, Copacabana, Puno, Cusco, Valle Sagrado e, por fim, Machu Picchu. Abaixo uma foto para registrar minha presença em Tiwanaku, sítio arqueológico de uma civilização pré-incaica que surge na América do Sul dois séculos antes de Cristo e persiste nesta região até, aproximadamente, 1300 d.C., quando ela passa a ser dominada pelos Aimarás, que se fundem com os Incas.

A foto acima são as ruínas da Pirâmide de Ahapana, que foi destruída pelos espanhóis quando estes conquistaram a região por volta de 1530 d.C.



Escrito por Roger às 02h19
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HOSTEL CASA DO RIO

Uma vez que visitem Paraty, recomendo a hospedaria (ou hostel) Casa do Rio. Preços em conta (paguei R$35,00 a diária), ambiente agradável, seguro e com muitas pessoas simpáticas e agradáveis.

Como todo bom hostel, é possível encontrar gente de todas as nacionalidades, abertas a uma conversa em francês, inglês, espanhol, português ou tudo isso junto. Fica localizada próxima ao centro histórico, e durante a FLIP talvez seja uma das opções mais baratas, se excluirmos o camping.

Às margens do rio Perequê Açu, Hostal Casa do Rio

 

Vista da varanda do quarto coletivo do Hostal Casa do Rio.

 

Hostel conta até mesmo com piscina e inclui café da manhã.



Escrito por Roger às 19h28
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SIMPÓSIO DE CARTOGRAFIA HISTÓRICA

Acabo de chegar em Paraty para o I Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica (http://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/). Serão quatro dias ounvindo as apresentações de pesquisadores falando sobre seus projetos de pesquisa na área. Certamente será bastante interessante, instigante e animador para mim, que vou desenvolver projeto de mestrado na área.

A partir de hoje, postarei fotos do evento, da cidade de Paraty e também alguns comentários curiosos de coisas que fui percebendo desde quando saí de São Paulo. Vou começar por algo que me deixou bastante contrariado hoje logo na saída de São Paulo.

ESTRANGEIROS NO ÔNIBUS

Logo que entrei no ônibus, já havia percebido um número bastante razoável de estrangeiros no carro. Pouco antes da partida, o motorista e um auxiliar passaram a fazer a contagem geral e, assim que terminaram, procederam com os informes sobre segurança e proibições durante a viagem. Assim que terminaram os avisos em português, em função do número de estrangeiros, o motorista fez um resumo dos avisos em língua inglesa. Como era de se imaginar, o inglês do motorista não era dos melhores, mas mesmo assim, conseguiu comunicar sua mensagem. Tão logo virou as costas, um senhor fez comentários sarcásticos em inglês sobre a qualidade do inglês do motorista. E todos os outros ao redor riram. Tal atitude me deixou bastante contrariado e não podia deixar de comentar com este senhor o que achava daquela situação. Falei para ele, em voz suficientemente alta para que os outros pudessem escutar, que eles deveriam se sentir agraciados por haver encontrado um motorista bastante esforçado que se dignou a aprender algumas palavras em inglês para não deixá-los sem a explicação que acabara de dar em português. Esta não é uma obrigação do trabalho dele, já que as empresas de transporte rodoviário não pagam salários maiores para motoristas bilíngues. Também falei que, pelo comentário dele, certamente é natural que na Austrália, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, países "civilizados", certamente haverá motoristas em linhas populares capazes de falar o português fluentemente para dar satisfação e tranquilidade a eventuais clientes lusófonos que não entendem os comunicados de segurança.

Obviamente, os estrangeiros se sentiram mal e não retrucaram meus comentários. Mas também não pediram desculpas. Ficaram apenas com a habitual cara de bunda deles, talvez putos demais por terem sido repreendidos com razão.



Escrito por Roger às 01h50
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COMO EUA AJUDARAM A DEPOR JANGO

A Folha de S.Paulo deste domingo deu essas duas notícias curiosas sobre a queda de Jango em 1964 e o golpe militar que o derrubou.

 

EUA queriam rever negócios com Brasil para ajudar a depor Jango

Três dias antes do golpe, Casa Branca pediu orientação sobre quais medidas deveria tomar

Governo questionava embaixador se deveria "segurar a aprovação" de empréstimos para enfraquecer presidente

FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

Em apoio ao golpe de 1964, a Casa Branca estava decidida a rever as relações econômicas com o Brasil para enfraquecer o governo do presidente João Goulart.
A informação consta de documentos secretos liberados pelo governo norte-americano e obtidos pela Folha.
Os papéis relatam uma reunião na Casa Branca em 28 de março de 1964, três dias antes do golpe, com conselheiros diretos do presidente Lyndon Johnson e agentes de alto escalão da CIA.
Esse encontro ocorreu após o recebimento de mensagem do então embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, com detalhes e pedidos para possível participação norte-americana no golpe para derrubar Jango.
Essa participação ficou conhecida como "Operação Brother Sam": o governo dos EUA discutiu a possibilidade de enviar navios, combustíveis e armamentos para auxiliar os militares golpistas.
Novos documentos mostram que os planos dos EUA não tratavam só de apoio militar. Um dos textos, que resume a reunião do dia 28, diz que a Casa Branca deveria telegrafar a Gordon: "Queremos que o embaixador reveja nossas relações econômicas e financeiras com o Brasil e nos recomende quais ações devemos tomar".
No mesmo dia, esse telegrama é enviado ao Brasil e fala em medidas concretas, como abandonar ou modificar negociação sobre a dívida brasileira e repensar as taxas de importação de café.
A Casa Branca questiona se deveria "abandonar, reduzir ou modificar de alguma forma a estratégia de negociação da dívida para evitar fortalecer o prestígio de Goulart". E mais: "Devemos segurar a aprovação ou o anúncio de empréstimos assistenciais? Outras medidas não militares são desejáveis para polarizar mais a situação em detrimento de Goulart?"
Gordon pediu o envio de armas sem identificação serial ou fabricadas fora dos EUA. A Casa Branca, porém, viu dificuldades em fornecer armamento "que não fosse depois atribuído a uma operação secreta dos EUA".
Um dos memorandos do Estado-Maior americano, datado de 31 de março, detalha ordens de envio de força-tarefa naval para a região de Santos para "estabelecer presença dos EUA nesta área".
Também neste caso aparece a preocupação de não expor os EUA: "Não sabemos se podemos oferecer disfarce plausível para a força naval".
As medidas não chegaram a ser executadas, porque Jango não resistiu ao golpe.



Escrito por Roger às 20h42
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NYT e Washington Post fizeram editoriais contra Jango

Governo buscou o apoio do "New York Times" ao golpe

DE WASHINGTON
DE BRASÍLIA


A Casa Branca tentou fazer com que os maiores jornais americanos publicassem textos críticos a João Goulart e favoráveis aos militares antes do golpe de 1964.
Memorando que resume reunião de integrantes do governo Lyndon Johnson em 28 de março de 1964 mostra intenção de pedir ao "New York Times" e ao "Washington Post" apoio à saída de Jango em "editoriais satisfatórios, chamando a atenção para a situação no Brasil".
Temia-se, porém, o risco de os jornais não seguirem a linha desejada: "Isso teria de ser gerenciado com cuidado, pois o editorial poderia facilmente sair insatisfatório".
A estratégia é comum nos EUA e foi usada pelo então presidente George W. Bush (2001-2009) para obter apoio à Guerra do Iraque. Boa parte dos jornais fez posteriormente mea-culpa por ter cedido à pressão da Casa Branca.
Em 1964, o plano só funcionou em parte. Instados ou não pelo governo americano, os jornais criticaram Jango. Em 3 de abril, o "New York Times" publicou editorial dizendo que "Goulart era um general sem regimento" e, no dia 7, que sua gestão era ruim de todos os pontos de vista.
O "Post" disse em 3 de abril que Jango era um oportunista errático "com poucos talentos". Mas eles também criticaram os golpistas.
"A impressão é que, para defender o país da subversão totalitária, os novos governantes estão usando métodos totalitários", escreveu o "Post". "A saída [de Jango], ainda que desejável, não precisa e não deve levar a uma ditadura", afirmou o "NYT".
Consultado sobre a pressão da Casa Branca em 1964, o "New York Times" disse não ter dados tão antigos, mas que seu "conselho editorial se reúne com integrantes de governos do mundo todo há mais de cem anos". (ANDREA MURTA e FELIPE SELIGMAN)



Escrito por Roger às 20h41
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INCLASSIFICÁVEIS 2

Ontem, em uma reunião, algumas pessoas me explicavam um sentimento de identidade corporativa à qual eles diziam fazer parte.  Durante a própria reunião disse que, apesar de não acreditar em tais artificialidades, respeitava-os. Me parece muito estranho o fato de as pessoas não perceberem que criam identidades apenas para satisfazerem um desejo desesperado de que fazem parte de algo único, que os distingue do resto da humanidade.  No fundo, essa tal característica não os distingue de nada. Nós, humanos, somos todos iguais até mesmo nesse raro desejo de unicidade. Basta ver as inúmeras identidades que criamos para nos definirmos.

Seguindo as identidades eu poderia me auto-denominar latino-americano, sul-americano, brasileiro, paulista e paulistano quanto à geografia; no quesito estudantil, eu seria um uspiano, mas não só, seria também um fflchiano, porque é diferente, afinal sou comunista, faço greves, não tomo banho, não corto as unhas e uso sandalhas fedorentas feitas por hippies hahahahaha. No quesito futebolístico, sou santista e torço para o Brasil durante a copa do mundo; já no quesito étnico, bem, como todo brasileiro, sou mestiço (como se apenas os brasileiros fossem mestiços). Enfim, acho que já cheguei ao ponto que queria. Será possível discutir identidade corporativa? Quando alguém vira para mim e diz que a característica que os distingue da concorrência é a sofisticação fico imaginando: o que é sofisticação para você? Será que em toda a concorrência não existe ninguém sofisticado? Será que o que você não acha sofisticado na concorrência, a própria concorrência não acha sofisticado nela mesma? Enfim, artificialismos que tais como todos os outros, são equivocados. Vejamos uma lista abaixo:

Um brasileiro tem que gostar de futebol e samba, comer feijão, ser descontraído e festeiro.

Um paulistano tem que gostar de trabalhar, estar sempre atrasado, conversar sobre trânsito, conhecer rotas alternativas e não parar nunca.

Um fflchiano tem que ser comunista, fazer greves, não tomar banho, não cortar as unhas, usar artesanatos hippies como bolsas, sandalhas e chinelos feitos em couro e fedorentos.



Escrito por Roger às 14h48
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INCLASSIFICÁVEIS

Continuando com as genialidades do Arnaldo Antunes, segue mais uma composição na linha de LUGAR NENHUM, aquela música composta quando Arnaldo ainda estava nos Titãs.

Em inclassificáveis, Arnaldo Antunes aborda a questão da identidade mestiça do brasileiro e da dificuldade de se classificar pessoas dentro de grupos que não têm o menor sentido para ninguém. Arnaldo fala dessa necessidade terrível que nossa sociedade sente de classificar um indivíduo dentro de um grupo, etnia ou qualquer outro conceito que é tão inviável quanto qualquer outro que essa sociedade que tenta nos empurrar goela abaixo. Exemplos destes conceitos são o trabalho, a propriedade privada, o Estado, a Nação ou até mesmo o dinheiro. Conceitos sem os quais os humanos viveriam muito bem, como bem provaram outras sociedades ditas incivilizadas.

De qualquer maneira, curtam aí mais uma música de Arnaldo Antunes:



Inclassificáveis

Arnaldo Antunes

Composição: Arnaldo Antunes

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol



Escrito por Roger às 18h38
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ENVELHECER

Aproveitando o clima de aniversário recém cumprido, gostaria de postar aqui uma música que diz muito como me sinto em relação a envelhecer. É uma música do Arnaldo Antunes que leva este título mesmo.

Parabéns pelos meus 34 anos e, como presente, curtam um pouquinho de Arnaldo Antunes:

Envelhecer

Arnaldo Antunes

Composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe
No meio da sala de estar
Eu quero que a panela de pressão pressione
E que a pia comece a pingar
Eu quero que a sirene soe
E me faça levantar do sofá
Eu quero pôr Rita Pavone
No ringtone do meu celular
Eu quero estar no meio do ciclone
Pra poder aproveitar
E quando eu esquecer meu próprio nome
Que me chmem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé
Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr

Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe
No meio da sala de estar
Eu quero que a panela de pressão pressione
E que a pia comece a pingar
Eu quero que a sirene soe
E me faça levantar do sofá
Eu quero pôr Rita Pavone
No ringtone do meu celular
Eu quero estar no meio do ciclone
Pra poder aproveitar
E quando eu esquecer meu próprio nome
Que me chmem de velho gagá.



Escrito por Roger às 10h30
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Painel do Leitor da Folha

Ontem a Folha de S.Paulo, através do seu caderno Mundo, seguiu sua política de dar destaque negativo para o governo de Hugo Chavez na Venezuela. Desta vez, mostrou como em documentos estadunidenses o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe compara Chavez a Adolf Hitler. Como se não bastasse, duas páginas adiante, com base no depoimento de um médico dissidente que fugiu para os Estados Unidos, esculhamba o programa tocado pelo governo Chavez de levar atenção médica aos bairros pobres venezuelanos dizendo que os médicos cubanos contratados para tal fim são tratados como escravos.

Mandei minha lamentação ao Painel do Leitor e, surpreendentemente, o mesmo foi publicado hoje, conforme destaco abaixo. Minha opinião é a última dessa lista.



Escrito por Roger às 11h59
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Democracia é....



Escrito por Roger às 21h56
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HISTÓRIAS APÓCRIFAS: Karel Capek

Histórias Apócrifas

Que boa surpresa esse Histórias Apócrifas de Karel Capek. Recomendo-o fortemente para qualquer um que queira ter enorme prazer e diversão na leitura. Logo no começo, o conto "Sobre a decadência dos tempos", já nos faz dar boas risadas ao imaginarmos um velho casal da idade das pedras lamentando a decadência das novas gerações e a falta de perspectiva da humanidade; pouco depois, vem Tersites, conto que destaca os comentários maldosos de soldados gregos durante o cerco de Troia; mais adiante ainda, tem o conto "Sobre cinco pães", que narra a opinião de um esforçado padeiro sobre os milagres de multiplacação de pães de Jesus. Há outros bastante interessantes e que são igualmente recomendáveis. Estou me divertindo muito com essa leitura.

Abaixo, um pequeno trecho extraído das páginas 26-27 do conto Tersites, que é uma ótima sacada do Capek. Neste conto, Capek narra o descontentamento de soldados gregos, acampados em frente a Tróia, antes de nova onda de ataque. Tersites é um dos soldados que reclamam e lamentam a sorte dos gregos nos dez anos de guerra contra Tróia, dando suas explicações das possíveis razões porque ainda a guerra não foi liquidada.

Curtam o trechinho que selecionei.


(...) Dizem que Aquiles se ofendeu  terrivelmente, porque Agamêmnon devolveu aos pais aquela escrava, como é mesmo o nome dela? Briseis, Kriseis, uma coisa assim... Ele tomou isso como uma afronta, mas parece que estava mesmo apaixonado pela moça... Olha, rapaz, que isso não é nenhuma comédia.


- Para mim vens dizer isso? – Perguntou Tersites. – Sei muito bem como tudo aconteceu! Agamêmnon simplesmente tomou-lhe a escrava, entendes? Mas para ele isso não é problema, porque se apossou de tantas jóias que nem sabe o que fazer com elas, e não pode ver um rabo de saia, que... Mas chega de mulheres! Afinal, foi por causa daquela tal de Helena que a coisa toda começou, e agora essa outra... Não ouvistes? Parece que a Helena agora está arrastando a asa para o Heitor. Essa aí já foi possuída por tod mundo em Troia, até pelo Príamo, que está com um pé na cova. E nós, agora, vamos passar pela necessidade e lutar por causa de uma fulaninha dessas? Muito obrigado, mas para mim chega!

- Dizem – observou Laomedon, meio envergonhado – que Helena é muito bonita.

- Dizem, dizem – respondeu Tersites, com desprezo. – Mas já está meio passada, e além disso é uma rameira de marca. Eu não daria por ela nem um prato de feijão. Sabeis rapazes, que é que eu desejo para o tonto do Menelau? Que ganhemos esta guerra de uma vez para ele receber a mulher de volta. A beleza de Helena não passa de lenda, impostura e um pouco de pó de arroz.

- Então nós, gregos, estamos lutando por uma simples lenda? É isso, Tersites?! – perguntou Hipodamos.

- Meu caro Hipodamos – respondeu Tersites -, percebo que não enxergas a essência das coisas. Nós, gregos, lutamos, primeiro, para que a raposa velha do Agamêmnon possa encher as burras com nosso butim; segundo, para que o janotinha do Aquiles possa saciar sua imensa sede de glória; terceiro, para que o vigarista do Odisseu possa nos escorchar fornecendo o armamento; por fim, lutamos para que um bardo vulgar e corrupto, o tal de Homero, ou lá como se chame, possa glorificar, por uns trocados sujos, os maiores traidores da nação grega e, ao mesmo tempo, vilipendiar ou ignorar os verdadeiros, modestos e abnegados heróis da Acaia, heróis como vós. É isso, Hipodamos. (...)



Escrito por Roger às 18h49
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THE HOURS: Ali in the jungle

Pra quem sofreu um knock-out e está buscando se levantar...

ALI IN THE JUNGLE
The Hours

It's, not, how you start, it's how you finish,
And it's, not, where you're from, it's where you're at,

Everybody gets knocked down,
Everybody gets knocked down,
How quick are you gonna' get up?
How quick are you gonna' get up?
Everybody gets knocked down,
Everybody gets knocked down,
How quick are you gonna' get up?
Just how are you gonna' get up?

Like Ali in the jungle,
Like Nelson in jail,
Like Simpson on the mountain,
With odds like that, they were bound to fail
Like Hannah in the darkness,
Like Adam's in the dark,
Like Ludwig Van, how I loved that man, well the guy went deaf and didn't give a fuck, no...

No, no, no

It's, not, where you are, It's where you're going,
Where are you going?
And it's, not, about the things you've done, it's what you're doing, now,
What are you doing, now?

Everybody gets knocked down,
Everybody gets knocked down,
How quick are you gonna' get up?
How quick are you gonna' get up, now?
Everybody gets knocked down,
Everybody gets knocked down,
How quick are you gonna' get up?
Just how are you gonna' get up?

Like Ali in the jungle,
Like Nelson in jail,
Like Simpson on the mountain,
Well with odds like that, they were bound to fail
Like Hannah in the darkness,
Like Adam's in the dark,
Like Ludwig Van, how I loved that man, well the guy went deaf and didn't give a fuck, no...

Oooh, ooh, ooh
No, no, no
Oooh, ooh, ooh
No, no, no
Oooh, ooh, ooh

It's the greatest comeback since Lazarus,
The greatest comeback since Lazarus,
It's the greatest comeback since Lazarus,
The greatest comeback since Lazarus,
It's the greatest comeback since Lazarus,
The greatest comeback since Lazarus,
The greatest comeback since Lazarus,
The greatest comeback...
It's the greatest comeback...

(Radio Commentator) This, is the most joyous scene, ever seen in the history of boxing, this is an incredible scene, the place is going wild, Muhammed Ali has won, Muhammed Ali has won, by a knockdown! By a knockdown! The thing they said was impossible, he's done!



Escrito por Roger às 16h33
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COLOMBIA: COMO AS COISAS FUNCIONAM

O caderno Ilustrada de hoje, 14/11/2010, retrata como as coisas funcionam na Colômbia. Sob o título "Davi e Golias, em versão colombiana", mostra que o Sr. Álvaro Uribe, que vivia acusando de ditador seu colega venezuelano Hugo Chavez, não é tão avesso às práticas ditatoriais. Abaixo segue o artigo publicado pela Folha, que destaca como Uribe perseguiu Hollman Morris, jornalista que conduzia um programa chamado "Contravía", por este último haver dado cobertura a uma libertação de reféns pelas FARC. A perseguição levou a Human Rights Watch dar ultimato a Uribe que, daí por diante, moveu uma campanha de perseguição contra Morris, que acabou saindo da Colômbia com diversas ameaças de morte. Abaixo segue o artigo publicado na Folha.

Davi e Golias, em versão colombiana

Como Hollman Morris, com seu pequeno televisivo "Contravía", despertou a ira do ex-presidente Álvaro Uribe

Apresentador de TV foi chamado de "cúmplice do terrorismo" por ter filmado libertação de quatro reféns das Farc

ROBERTO KAZ
ENVIADO ESPECIAL A BOGOTÁ

No dia 3 de fevereiro de 2009, após a libertação de quatro reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi à televisão fazer um pronunciamento.
Dentre elogios aos militares, Uribe criticou duramente o jornalista Hollman Morris -apresentador do televisivo "Contravía"-, que, sem conhecimento do governo, acompanhou a ação, avisado por membros das Farc.
Morris declarou que as entrevistas que fizera, com homens recém libertados, eram de interesse nacional. Já Uribe preferiu taxá-lo de "cúmplice do terrorismo".
Em 5 de fevereiro daquele ano, a Human Rights Watch, organização em defesa dos direitos humanos, endereçou uma carta ao mandatário do país, desafiando-o a provar a acusação "ou extingui-la por completo".
Uribe se retratou publicamente -com uma frase discreta colocada no site da presidência. "Ninguém viu", contou Juan Pablo Morris, irmão de Hollman e produtor do "Contravía". "Por outro lado, a acusação foi transmitida massivamente."
O evento teve, para o jornalista, um duplo desdobramento. Ao passo em que passou a ser mal quisto por parte da população, Hollman se viu falando de igual para igual com o presidente. Foi como se Lula, em vez de criticar a imprensa, acusasse um repórter da TV Brasil.
Em outubro, a Folha visitou a produtora do "Contravía", um programa semanal, de baixa audiência, feito a US$ 5 mil o episódio.
No local, há fotos de Hollman com o escritor Gabriel García Márquez e com o subcomandante Marcos, porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional, grupo político-militar do México.
Abaixo, trechos da conversa, ocorrida ao vivo com o produtor Juan Pablo Morris e, por telefone, com Hollman, que está nos Estados Unidos em função de uma bolsa ofertada por Harvard.

Folha - Quando surgiu o "Contravía"? Juan Pablo Morris - Em 2003, financiado pela União Europeia. De cara, conquistamos o Simon Bolívar e o India Catalina, dois principais prêmios de jornalismo da Colômbia. No ano seguinte, a Embaixada da Holanda financiou outros 60 capítulos.

Quantas pessoas fazem o programa? Juan Pablo - Eu, meu irmão, um jornalista, um estagiário e um câmera. Viajamos de ônibus, dormimos de favor na casa dos outros. Transmitimos na menor emissora, o Canal Uno, quase todo dedicado a televenda e programação religiosa. Compramos meia hora semanal por US$ 1.500.

Por que a briga com Uribe? Juan Pablo - Isso começou em 2005, quando fizemos o episódio "No Podemos Guardar Silencio", sobre San José Apartado, comunidade localizada em uma área de conflito entre militares e guerrilheiros. Em dez anos, 150 pessoas haviam sido mortas. O problema é que Álvaro Uribe governara esta região entre 1995 e 1997. Despertamos uma raiva pessoal.

O que aconteceu em seguida? Juan Pablo - Começaram as ameaças. Hollman recebeu flores em casa em "luto" por sua "futura" morte. Uribe o acusou de estar ligado às guerrilhas. A Embaixada da Holanda não prolongou o financiamento.

Atualmente quem banca o programa? Juan Pablo - A Fundação George Soros, que doou US$ 140 mil. Voltamos ao ar no domingo passado, com um episódio sobre a polícia secreta da Colômbia. [Juan Pablo pega uma caixa repleta de papéis]. Isso é o resultado da espionagem que eles fizeram sobre nós e que está sendo julgada pela Suprema Corte. Por sermos parte do processo, temos acesso [Ele mostra cópias de e-mails grampeados, um mapa com as viagens internacionais de Hollman e uma apostila de um suposto curso da polícia, cujo enunciado diz: "Iniciar campanha de desprestígio a nível internacional, através de comunicados e inclusões em vídeos das Farc"]. É um Watergate, só que pior.

Como vocês conseguiram acompanhar a libertação de reféns da Farc? Juan Pablo - Recebemos um telefonema das Farc no meu celular. Ligamos várias vezes de volta para averiguar se era cilada. Hollman e o cinegrafista decidiram ir à aldeia combinada e ficaram oito dias esperando, até receber outra ligação: "Vamos libertar os reféns. Se quiserem presenciar, o lugar é X." Hollman - Era uma ação de libertação. Antes, eu havia estado cinco vezes em acampamentos, todos sem reféns. Entenda: nunca vou deixar um campo de sequestrados com material jornalístico e sem os sequestrados.

Pretende voltar à Colômbia? Hollman - Estou nos Estados Unidos desde agosto, com minha família. Na Colômbia, são quase dez anos de ameaças, em que meus filhos cresceram com escolta. Aqui tenho uma vida. Gostaria de ficar mais.



Escrito por Roger às 11h24
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CANTARES - Antonio Machado

Como nesta próxima sexta-feira deixo meu atual empregador para perseguir novos desafios em outra empresa, tive que preparar um email de despedida para os amigos e colegas para comunicar minha saída, deixar meus contatos pessoais e dizer como minha passagem pela empresa foi importante. Como não poderia deixar de ser, junto com o email, anexei o poema CANTARES, do poeta Sevilhano António Machado. Segue poema abaixo:

Cantares
(António Machado)


Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar

Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão

Gosto de ver-los pintar-se
de sol e graná voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se...

Nunca persegui a glória

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar...

Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar"...

Golpe a golpe, verso a verso...

Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe vieram chorar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso.
 



Escrito por Roger às 11h04
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REFORMA NA USP segundo a Folha

Em editorial publicado no dia 22/09/2010 a Folha de S.Paulo revela como enxerga a USP e da proposta de reforma tocada pelo feitor, ou melhor, reitor Rodas:

Reforma na USP

É louvável a iniciativa do Conselho Universitário da USP de revisar todos os seus cursos de graduação, processo que poderá acarretar a mudança de currículos e o eventual fechamento de algumas carreiras.
Nos últimos cinco anos, graças à elevação das receitas do Estado, a USP viu seu Orçamento aumentar em cerca de 40%. Essa elevação, contudo, não se refletiu em aumento na produção científica da universidade.
Em relação à qualidade dos cursos, a medição se torna difícil porque a USP se nega a participar do Enade, exame do Ministério da Educação que poderia compará-la a outras instituições brasileiras. Recente ranking internacional, no entanto, mostrou que a universidade paulista ainda é a melhor entre as brasileiras, mas fica longe dos grandes centros mundiais -é somente a 232ª mais bem avaliada do mundo.
Por necessário que seja, o processo de reavaliação dos cursos não deveria se render a uma visão meramente utilitarista, que leve em conta apenas a demanda dos vestibulandos e as necessidades do mercado. Como universidade pública, a USP não pode abdicar da função de cultivar e difundir um tipo de conhecimento que não encontra espaço nos bancos das faculdades privadas.
Além da revisão das carreiras, o reitor da instituição, João Grandino Rodas, anunciou a intenção de frear o aumento do número de vagas de graduação, que subiu 50% nos últimos oito anos.
Rodas considera que uma excessiva abertura de vagas pode prejudicar a qualidade do ensino. O reitor acerta ao considerar que, "sem uma revisão dos cursos que já existem e uma melhora da infraestrutura disponível, a busca da excelência da USP não será possível".
Resta saber se o diagnóstico se refletirá numa atuação que impulsione a universidade para padrões acadêmicos mais elevados.



Escrito por Roger às 11h27
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THE TRIAL

Para mim essa sempre foi uma das melhores canções do álbum The Wall. The trial (o julgamento) são as páginas finais dessa ópera-rock que termina com o julgamento e condenação do protagonista (líder da banda de rock) que, segundo o juiz, durante toda sua vida fez com que suas adoráveis esposa e a mãe sofreressem tanto em suas mãos que ele até tinha vontade de defecar. A pena que o juiz sanciona ao réu é a de que este expusesse os seus medos, sentimentos e fraquezas a todos os seus pares, derrubando o muro que ele foi construindo no decorrer de sua vida para o defender do mundo que não compreendia e do qual não desejava fazer parte.

Para quem, como o protagonista da ópera-rock, viveu isolado do mundo atrás de seu muro e nunca escutou The Wall, vale a pena escutar o disco uma vez, assistir ao filme e depois escutar novamente.

É isso aí!!!


The Trial (Waters, Bob Ezrin) 5:16

Good morning, Worm your honor.
The crown will plainly show
The prisoner who now stands before you
Was caught red-handed showing feelings
Showing feelings of an almost human nature;
This will not do.
Call the schoolmaster!

I always said he'd come to no good
In the end your honor.
If they'd let me have my way I could
Have flayed him into shape.
But my hands were tied,
The bleeding hearts and artists
Let him get away with murder.
Let me hammer him today?

Crazy,
Toys in the attic I am crazy,
Truly gone fishing.
They must have taken my marbles away.
Crazy, toys in the attic he is crazy.

You little shit you're in it now,
I hope they throw away the key.
You should have talked to me more often
Than you did, but no! You had to go
Your own way, have you broken any
Homes up lately?
Just five minutes, Worm your honor,
Him and Me, alone.

Baaaaaaaaaabe!
Come to mother baby, let me hold you
In my arms.
M'lud I never wanted him to
Get in any trouble.
Why'd he ever have to leave me?
Worm, your honor, let me take him home.

Crazy,
Over the rainbow, I am crazy,
Bars in the window.
There must have been a door there in the wall
When I came in.
Crazy, over the rainbow, he is crazy.

The evidence before the court is
Incontrivertable, there's no need for
The jury to retire.
In all my years of judging
I have never heard before
Of someone more deserving
Of the full penaltie of law.
The way you made them suffer,
Your exquisite wife and mother,
Fills me with the urge to defecate!

"Hey Judge! Shit on him!"

Since, my friend, you have revealed your
Deepest fear,
I sentence you to be exposed before
Your peers.
Tear down the wall!



Escrito por Roger às 08h30
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DO PONTO DE VISTA DA PEDRA

Porque achei o texto do Pondé genial, vou postá-lo aqui. Publicado originalmente no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de 26/07/2010.

LUIZ FELIPE PONDÉ

Do ponto de vista da pedra


Eu sei que podem me achar excessivamente cético, mas só acredito em Deus e na alma. Em mais nada

NUMA MADRUGADA, afundo em cigarros e insônia. Na TV a cabo, cenas de um filme chinês, "2046 - Os Segredos do Amor", fotografia de cores fortes, músicas incomuns, mulheres lindas, ancas deliciosas que sobem e descem escadas e se arrastam entre os lençóis. O filme não deixa de ser uma ode a esse antigo vício que muitos de nós, homens, temos: a paixão pelas mulheres e a mistura de afetos que as atormenta, a beleza insustentável, a forma infiel do corpo, o tédio incurável.
Uma chinesa se apaixona por um japonês. Seu pai a proíbe de amar o japonês, afinal o ódio aos horrores da guerra causados pelos japoneses justifica sua fala. O ano é 1967.
Ele volta para o Japão. Ela enlouquece, adoece, é internada. Põe-se a falar sozinha, definha sob a opressão da saudade. Vaga pelo quarto abraçando sombras.
E, aí, o filme me ganha definitivamente. Sim, eu sei que pessoas saudáveis não sofrem assim. Mas, em minha obsessão pelos que morrem de amor, não consigo admirar quem resolve bem a vida. Tenho certa paixão por quem fracassa no combate ao afeto. Certamente, tenho algum trauma primitivo, daqueles que fundam nossa personalidade despertando nossa alma.
Tem gente por aí que se julga inteligente porque não acredita na existência da alma -pobres diabos. Eu sei que podem me achar excessivamente cético, mas eu só acredito em Deus e na alma. Em mais nada. Eu, aliás, confio mais em almas penadas. Que assustam os sonhos à noite. Sim, eu sei. Melhor aqueles que tomam remédios, fazem terapias objetivas, meditam 15 minutos diariamente e viram budistas. Mas eu me encanto facilmente por gente que, como essa heroína chinesa, adoece de amor.
Vagando pela casa tentando relembrar cada palavra dita, cada cheiro, cada silêncio, cada gosto na boca, o toque da língua, a saliva, escorrendo a mão pelos seios, numa dança doce e macabra de acasalamento. Sozinha, beijando as paredes. O rosto coberto de lágrimas, os olhos vidrados, a boca salgada, a voz rouca de tanto gritar sozinha para os céus.
A incompreensão de todos à sua volta por tamanha incapacidade de se tornar indiferente ao amor morto. Sentir-se como uma folha esmagada contra o chão, elevada pelo vento, seca de tanto afeto, evocando a misericórdia dos deuses, eis minha fenomenologia do amor.
Lembro-me do conto de Edgar Allan Poe "A Queda da Casa de Usher". Não me esqueço da doença que afeta o irmão e a irmã Usher. O talento monstruoso do melancólico Poe esmaga o leitor de sensibilidade diante da morbidez do amor impuro entre os irmãos Usher, fundando uma cumplicidade de segredos na distância entre os séculos.
A degeneração mortal dos irmãos se materializa numa sensibilidade insuportável para com os detalhes concretos da existência física. As roupas pesam na pele, os sons das palavras faladas em voz baixa rasgam os ouvidos, o paladar da língua é ferido pelo gosto sem gosto do alimento, a claridade de um dia sombrio ofusca a pupila infeliz diante do peso da luz, o ruído das relações humanas tortura o lento passar das horas, até as pedras das paredes da casa de Usher são agonia.
Miseráveis irmãos buscam a nudez, o silêncio, a fome, a escuridão, a solidão como cura. A vida, pouco a pouco, se torna morte, buscando o impossível repouso na ânsia de se fazer também pedra.
Amar é estar impregnado de uma presença, como o acúmulo dos anos se torna limo entre as pedras. Como uma forma de infecção invisível que une corpo e alma no desejo.
Sim, eu sei que se trata de um modo ruim de viver. Devemos fazer o culto da vida saudável. Mas não consigo. Encanta-me a personagem que perde a batalha contra si mesma como minha chinesa insone.
Morbidez? Pouco importa. Fôssemos apenas um bando de mamíferos alegres, ao longo de nossos milhares de anos de existência, não sobreviveríamos. A dor é que nos adapta ao ambiente hostil.
O "direito à felicidade" é a nossa grande falácia: hoje somos superficiais até do ponto de vista das pedras. Já Tocqueville, no século 19, temia que a "mania da felicidade" tornasse todos nós os tolos do futuro. Amém



Escrito por Roger às 10h41
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Happiness

Felicidade é o título de um poema inédito de Raymond Carver publicado no caderno Ilustríssima de 18/07/2010. Até hoje jamais havia ouvido falar deste escritor e este poema me chamou muito a atenção para a sua obra. Esperol que gostem tanto quanto eu.

Raymond Carver (1938-88), escritor e poeta americano, publicou em 1981, entre outros, a coletânea de contos "Iniciantes" ("What we talk about when we talk about Love", trad. Rubens Figueiredo, Companhia das Letras).

Os poemas (inéditos em português) que estão na edição de domingo (18/7) - e que aqui estão apresentados ao lado da versão original em inglês - foram tirados do livro "All of Us. The Collected Poems" (Vintage Books, 2000).

HAPINESS
by Raymond Carver

So early it's still almost dark out.
I'm near the window with coffee,
and the usual early morning stuff
that passes for thought.

When I see the boy and his friend
walking up the road
to deliver the newspaper.

They wear caps and sweaters,
and one boy has a bag over his shoulder.
They are so happy
they aren't saying anything, these boys.

I think if they could, they would take
each other's arm.
It's early in the morning,
and they are doing this thing together.

They come on, slowly.
The sky is taking on light,
though the moon still hangs pale over the water.

Such beauty that for a minute
death and ambition, even love,
doesn't enter into this.

Happiness. It comes on
unexpectedly. And goes beyond, really,
any early morning talk about it.

FELICIDADE
por Raymond Carver (Tradução Cide Piquet)

Tão cedo que ainda é escuro lá fora.
Estou perto da janela com o café
e tudo aquilo que sempre a essa hora
nos passa pela mente.

Quando vejo o rapaz e seu amigo
caminhando rua acima
para entregar o jornal.

Eles usam bonés e agasalhos,
e um deles traz uma sacola nas costas.
Estão tão felizes
que nem sequer conversam, os rapazes.

Acho que, se pudessem, estariam até
de braços dados.
É de manhã bem cedo
e os dois caminham lado a lado.

Eles vêm vindo, lentamente.
O céu está se iluminando,
embora a lua ainda paire sobre as águas.

Tanta beleza que por um instante
a morte e a ambição, até o amor,
não se intrometem nisso.

Felicidade. Ela vem
inesperadamente. E vai além, mesmo,
de qualquer discurso sonolento.



Escrito por Roger às 20h45
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A EDUCAÇÃO PÚBLICA E A MÃO-DE-OBRA QUALIFICADA

Em artigo publicado na Folha neste último domingo (O Brasil do desemprego zero), Gilberto Dimenstein defende uma política educacional que priorize a formação de mão-de-obra para o mercado. Na manchete de seu artigo, Dimenstein destaca que 70% das maiores empresas brasileiras se ressentem da falta de mão-de-obra qualificada. Ao ler isso eu me pergunto: deve ser mesmo o objetivo de nosso Estado formar mão-de-obra para as "grandes empresas brasileiras"? É isso o que queremos para nossos filhos e netos, isto é, que sejam mão-de-obra qualificada e não indivíduos críticos cientes de seus direitos e deveres como cidadãos e capazes de reinvindicá-los quando esses mesmos direitos não são respeitados, como o direito por ter uma educação de qualidade, por exemplo, para o qual pagamos altíssimos impostos?

Muito me surpreenderia este artigo se viesse de alguém que realmente estivesse preocupado com a qualidade da educação pública. Mas como veio do Dimenstein, que por seus textos, parece ser uma pessoa ligada a uma ideologia política alienadora, em nada surpreende. Na verdade, o texto incomoda por irritar e deixar uma sensação de impotência, uma vez que forma a opinião de uma gama de leitores que jamais pensaram seriamente sobre o assunto e estão ávidos por arrebanhar para si a opinião de quem consideram um especialista no assunto. Afinal quem, de opinião diversa, tem espaço como este (semanal) no jornal de maior circulação do Brasil?

Pior ainda do que defender uma educação alienadora, é ver o dito "especialista" fazendo propaganda para as companhias em seu artigo. É triste ver os nomes de grandes empresas (cita nominalmente oito ou nove) mencionadas no texto como grandes investidoras que estão fazendo um grande favor ao país por se instalarem aqui, como se não ganhassem seus lucros exorbitantes com a exploração do país e dessa mesma mão-de-obra que o Dimenstein insiste em não formá-la criticamente. Depois, como se nada disso fosse suficiente, mostra o seu entrosamento com as políticas de governo do PSDB, ao defender desavergonhadamente a educação não-presencial como boa prática de educação. Sua principal argumentação é que o mercado de trabalho não faz distinção entre profissionais formados presencialmente ou a distância. Inacreditável.

Portanto, caro amigo, em seu artiguinho de péssima qualidade o Dimenstein nos pergunta para quê queremos educação de qualidade se, no final das contas, você vai ser um bom profissional do mercado. Nos assegura que podemos confiar em pessoas como ele para que estes sim pensem o mundo por nós enquanto o governo nos transforma em um bom profissional alienado e acrítico. Basta confiarmos nele. Você confia?????



Escrito por Roger às 11h30
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PAINEL DO LEITOR DA FOLHA

Domingão li algumas notícias na Folha que me incomodaram bastante. Especialmente uma que falava sobre uma professora que, para complementar sua renda, aceitava bico de traduções de filme pornô (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3005201012.htm). No mesmo caderno (Cotidiano), algumas folhas depois, lá estava o Dimenstein fazendo campanha para que nossa educação formasse mão-de-obra para as grandes empresas (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3005201026.htm).

Incomodado com ambas notícias, decidi mandar minha opinião à Folha de S.Paulo, que acabou publicando no jornal de domingo, mas, editou-o, publicando apenas minha primeira lamentação, deixando a crítica ao Dimenstein de lado. hahahaha

Aqui publico o comentário como o enviei e o comentário como publicado para evitar dúvidas sobre minha opinião real.

COMENTÁRIO COMO ENVIADO

Professores & Filmes pornográficos

Lamentável a notícia "Professora traduz filmes pornográficos" no caderno Cotidiano de 30/05. Infelizmente, para poder sobreviver, professores complementam sua renda submetendo-se a subempregos como este. Esta é a foto mais perfeita da política educacional de estados e municípios deste país que só cresce mesmo para as grandes empresas. Pior ainda foi ver Dimenstein fazendo publicidade gratuita para essas empresas e campanha para que o governo invista na formação de mão-de-obra para as mesmas. Duplamente lamentável!!!

José Rogério Beier

Analista de Segurança de Informações, 33 anos

São Paulo/SP

COMENTÁRIO COMO PUBLICADO NO PAINEL DO LEITOR

Pornografia
Lamentável a notícia "Professora traduz filmes pornográficos" no caderno Cotidiano (30/ 5). Infelizmente, para poder sobreviver, os professores complementam a sua renda submetendo-se a subempregos como este. Esta é a foto mais perfeita da política educacional dos Estados e municípios deste país, que só cresce mesmo para as grandes empresas.
JOSÉ ROGÉRIO BEIER (São Paulo, SP)



Escrito por Roger às 09h31
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LULA E OS PRÊMIOS INTERNACIONAIS

Este texto foi enviado ao Blog do Bourdoukan por um leitor e acho que vale bastante a pena reproduzir aqui para todos aqueles que ainda acreditam e vivem a repetir que o Lula não passa de um bêbado, analfabeto, sem valor. Será que todos esses institutos e órgãos que o premiaram estão loucos?


Trajetória recente dos prêmios e reconhecimentos internacionais de Lula
Em 2007 o presidente Lula recebeu o Prêmio Nehru. Em 2008 recebeu em Paris o Prêmio Félix Houphouët, oferecido pela UNESCO; ao menos um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz".
No mesmo ano foi à Espanha receber o 1º. Prêmio Internacional Dom Quixote de La Mancha.
Em 2009, recebeu em Paris o 1º World Telecommunication and Information Society Award;
Em 2009, em Londres, recebeu o Prêmio Chatham House 2009 por sua atuação na América Latina;
Em 2009, em Nova York recebeu o Prêmio Woodrow Wilson for Public Service.
Em 2009, recebeu, em solenidade na sede da Organização das Nações Unidas, o Prêmio Sucesso Internacional.
Em Roma, durante a Cúpula Mundial da Alimentação das Nações Unidas recebeu o Prêmio Contra a Fome, da ActionAid, e um par de luvas de boxe pelo sucesso na luta contra a fome no Brasil.
Neste 2010 recebeu o prêmio de Estadista Global, inédito no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
 Justificativa: Lula foi eleito para o prêmio por ser um líder político que usou o mandato para melhorar o mundo. Detalhe: foi a primeira vez que o Fórum concedeu um prêmio, em 40 anos de existência.
Em 10 de maio deste ano, em Brasília, o diretor-geral do Programa Mundial de Alimentação da ONU entregou a Lula o prêmio de Campeão Mundial da Luta contra a Fome.
Em sua edição de 23/9/2009, a revista americana Newsweek afirmou ser Lula "o político mais popular do mundo" e que ele era nada menos que a maior estrela da 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. "As câmeras podem focar na personificação do americano descolado, Barack Obama, ou nos autocratas exibicionistas e despeitados como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o venezuelano Hugo Chávez, mas a maior estrela disponível será o duro, barbado e ex-torneiro mecânico", diz o texto.
"É um longo caminho do faminto Nordeste do Brasil para a sala da Assembleia Geral das Nações Unidas, mas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conhece cada passo desse caminho", afirmou a Newsweek, completando que o presidente "é considerado agora o líder de uma potência regional e um porta-voz autodesignado para as nações emergentes de todo o mundo".

Em sua edição de 29/4/2010 a Time, revista semanal de maior circulação no mundo, elegeu Lula o líder mais influente do planeta.



Escrito por Roger às 09h22
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NÃO CONFIÁVEL

A mídia brasileira, controlada pelas agências internacionais, tenta jogar água na negociação sobre a crise energética que Brasil e Turquia conseguiram realizar com o Irã. Os EUA acusam o Brasil de ingênuo e o Irã de não confiável. I wonder: quem será que eles consideram confiáveis nessa questão? Eles mesmos? Israel?

Entendo que para o governo estadunidense deve ser complicado mesmo perder o controle sobre o seu quintal, afinal de contas, o Brasil, até pouco tempo atrás, não passava de marionete na mão dos sucessivos governos estadunidenses. Na cabeça deles deve passar algo mais ou menos assim: "como é que pode esse bando de subdesenvolvidos (Brasil, Turquia e Irã) decidirem os seus próprios destinos assim, à revelia daquilo que nós queremos? NÃO!!!!!

De mais a mais, não confiáveis são os Estados Unidos da América. Qual foi o único país a despejar bombas atômicas sobre civis? Terá sido o Irã? Qual foi o país que invadiu o Iraque alegando que seus governantes detinham arsenais de armas de destruição em massa? Terá sido o Irã? Quem é que deu suporte financeiro ao Iraque e a grupos terroristas para defender seus interesses no Oriente Médio durante a Guerra Irã x Iraque? Quem forneceu as armas químicas utilizadas por Saddam em sua limpeza étnica contra os curdos? Quem financiou governos ditadoriais na América Central e do Sul, derrubando governos democraticamente eleito e assassinando presidentes como Salvador Allende? Quem financia e controla o narcotráfico na Colômbia? Quem está no Afeganistão para, dentre outras coisas, controlar as plantações de papoula?

Com base nesse histórico sujo, eu desconfio é dos Estados Unidos e dessa mídia hipócrita que, paga por esse governo, acaba (des)informando o público que eles mesmos consideram um bando de Homer Simpsons.



Escrito por Roger às 15h59
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Casa Grande & Senzala por G.Bourdoukan

Eu ia escrever algo sobre o acordo diplomático conseguido por Brasil e Turquia junto com o Irã, mas achei que o Georges Bourdoukan mandou muito melhor do que minhas melhores tentativas. Então, vou aqui reproduzir o post que ele publicou no blog dele no dia 19/05/2010 sobre o assunto.

Acabou o tempo da Casa Grande, o Brasil ja não é mais uma senzala
por Georges Bourdoukan (http://blogdobourdoukan.blogspot.com/)

Aconteceu o que já era esperado.
Começou o bombardeio contra o acordo assinado entre o Brasil, Turquia e o Irã.
Não se podia esperar outra coisa dos Estados Unidos.
Desde o início eles fustigaram a diplomacia brasileira.
Acostumados com chanceleres que tinham por hábito tirar os sapatos por ordem de funcionários alfandegários de quinto escalão, não podiam se conformar com a altivez do Sr. Celso Amorim e grandeza do presidente Lula.
O recado desses dois brasileiros era claro, claríssimo.
Acabou o tempo da Casa Grande.
O Brasil já não é mais uma senzala.
A arrogância dos Estados Unidos passou dos limites, a ponto de inúmeros jornais do mundo, como o britânico Guardian afirmar que a atitude dos Estados Unidos “É um tapa na diplomacia dos emergentes”.
E o Fígaro Frances afirmar que as grandes potencias não gostaram nada de “não serem consultadas” .
E olha que os dois jornais são conservadores. Diria reacionários.
A verdade é que Brasil e Turquia, ao conseguirem o acordo, simplesmente mostraram a inutilidade do Conselho de Segurança da ONU, cujos cinco membros estavam acostumados a determinar os rumos da humanidade, mas jamais a busca pela paz.
Resta agora esperar para ver até onde vai a arrogância dos antigos donos do mundo.
Com certeza, farão tudo para rasgar o acordo e buscar uma saída pela guerra.
Afinal, não foi para isso que o senhor Obama ganhou o prêmio Nobel da paz?
Que o digam os torturados em Guantánamo.
Que o digam os torturados em Abu-Ghraib.
Que o digam os torturados em Bagram.
Pobre humanidade...


Escrito por Roger às 15h13
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SNOW PATROL

You could be happy and I won't know
But you weren't happy the day I watched you go

And all the things that I wished I had not said
Are played on lips 'till it's madness in my head

Is it too late to remind you how we were
But not our last days of silence, screaming, blur

Most of what I remember makes me sure
I should have stopped you from walking out the door

You could be happy, I hope you are
You made me happier than I'd been by far

Somehow everything I own smells of you
And for the tiniest moment it's all not true

Do the things that you always wanted to
Without me there to hold you back, don't think, just do

More than anything I want to see you go
Take a glorious bite out of the whole world



Escrito por Roger às 08h21
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NEYMAR x ROGÉRIO CENI

Porque uma imagem vale mais do que mil palavras...

 

CHUPA ROGÉRIO CENI E LEVA O SOMBRA SEGURANDO O LEME.



Escrito por Roger às 00h29
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Não sei porque cargas d'água este blog foi selecionado pelo UOL para ganhar o selo Blog Legal da UOL no período de 03 a 10/02/2010. Agora compreendo porque as estatísticas de visitantes deram um pulo grande na última semana. De qualquer modo, vou colar o selo Blogs Legais porque me parece deveras inusitado que alguém tenha real interesse pelo que posto aqui. hahahaha Especialmente nestes últimos meses.

E para não passar em branco.... CHUPA SÃO PAULO, CHUPA ROGÉRIO CENI E CHUPA RENATO



Escrito por Roger às 12h28
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