Causou-me certa surpresa o fato de não ter visto repercussão sobre notícia veiculada nessa Folha no último dia 20/06 alertando que, segundo a ONU, a fome atingirá cifra de 1 bilhão de pessoas no mundo. É uma verdadeira vergonha existir fome neste planeta quando sabemos que a produção mundial de alimentos é mais do que suficiente para alimentar as pessoas que o habitam. Pior ainda é ver que a justificativa apontada para esse aumento do número de famélicos, a atual crise financeira, não se sustenta. A FAO diz que os países colaboradores cortaram ou reduziram a ajuda em função da crise, e que o orçamento necessário para manter seus programas e metas de diminuição da fome ser de US$ 6,5 bilhões.Ora, essa cifra chega a ser irrisória quando comparada a trilionária ajuda que governos dos EUA e Europa vêm anunciando desde meados de 2008, quando do início dessa mesma crise.
Faço minha as palavras do saudoso professor Milton Santos, que nos dizia que a fome neste planeta é, ao fim e ao cabo, uma questão de decisão. Simplesmente decidiu-se que um sexto da humanidade deve passar fome para manter esse sistema injusto e essa forma de vida esbanjadora, incompatível com o planeta.
PMs batem em estudantes da USP após conflito causado por decisão da incompetente reitora Suely Vilella em autorizar entrada da Polícia no Campus do Butantã.
Inquietações sobre a arte ou a estupidificação do ser humano
Que a arte é indispensável não apenas na formação do ser humano, mas para a sua própria existência e pertinência a tal gênero, creio não haver quem negue. Contudo, difícil mesmo é encontrar uma definição geral de arte que atenda as necessidades do gênero humano e exclua aqueles que se usam dela para estupidificar as pessoas.
Já faz uns vinte anos que os Titãs, de Arnaldo Antunes, cantavam uma música que clamava a necessidade da arte na vida das pessoas. Uma de suas estrofes dizia com todas as letras que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Porém, me é impossível não refletir, toda vez que escuto esta música, até que ponto essa nossa “arte” não se transformou em mera diversão ou, melhor dizendo, entretenimento no sentido mais estrito que essa palavra possa ter, isto é, entreter. Fico a me perguntar o quanto dessa arte, da qual tanto necessitamos, não foi transformada naquele circo da famosa máxima romana Panis et Circenses.
Em uma crônica de 1925 o poeta Manuel Bandeira considerava um ato digno de heroísmo a realização de concertos no Rio de Janeiro em um “meio que vai-se tornando cada vez mais adverso a tudo que é arte!..” Claro que é muito difícil é chegarmos a um consenso do que é arte, mas para Manuel Bandeira estava muito claro aquilo que não era. Para ele, “a invasão do ‘morbus’ ‘fox-trot’ alucinou a nossa população. Desviou-a do caminho que conduz a civilização. Desorientou-a com a liberdade expressiva tolerada por uma sociedade que só pensa em diversões...”. Fico imaginando o que ele pensaria, se vivo estivesse, do famigerado Funk Carioca...
Aqui, não vamos cair no mesmo engano do saudoso poeta de querer indicar qual é o caminho para se atingir a civilização ou se tal ou qual expressão da arte é mais ou menos civilizada (com exceção do funk, já criticado). Mesmo porque, não creio que a arte e a civilização européia sejam modelos a serem copiados, como parecia pensar o poeta. Não é esse o mérito que estou buscando refletir nessa crônica. O que me chama atenção na passagem de Bandeira é justamente o diagnóstico de uma sociedade que só pensa em diversões. Eis o que para ele, e para mim também, nos separa da arte. O quanto, hoje, podemos dizer que tal ou qual arte são, verdadeiramente, expressões de um sentimento genuinamente humano e não meros produtos criados para entreter e, sobretudo, vender?
Óbvio, não tenho resposta para esta questão. Mas parece-me que nesses setenta e poucos anos que separam o texto de Bandeira e o meu, é nítido que houve um investimento maciço de recursos na criação de uma indústria artística que parece ter sido criada apenas para a diversão das gentes. Não que não precisemos de diversão, aliás gosto muito de muitas delas, mas e aquela arte de que a gente também precisa e a música clamava. Onde é que está ela?
É difícil não poder concluir essa crônica tal como Bandeira, que pensava na música erudita como um meio de atrair “uma parte dos fascinados pelos sports, pelos cinemas e pela dança licenciosa”. Triste é concluir que sequer isso podemos mais clamar em função da vitória dessa sociedade fascinada por distrações. É evidente que a música erudita teria papel relevante nessa tarefa, mas em uma sociedade onde a lista das fascinações só fez aumentar com a chegada de novas e mais eficientes tecnologias de diversão e entretenimento como a televisão e a internet, dentre outras, e a qualidade da educação só fez decair, talvez seja mais realista pensarmos que hoje não tenhamos cultura suficiente sequer para clamar por música erudita, como queria Bandeira, ou por arte, como cantavam os Titãs. Hoje queremos apenas pedir pelo mínimo. Queremos apenas pedir por uma educação de qualidade. É só!!!
Ontem enviei um email à folha e ao colonista Jorge Coli arabenizando-os pelo texto Inteligência e Afeto publicado neste último domingo no Caderno Mais da Folha. Como aluno de graduação do curso de História da USP, afirmo que o mesmo processo descrito por ele para os cursos de Letras está se dando com outros cursos universitários do nosso país, como é o caso do curso de História. Todos os dias vejo alunos que sairão deste curso sem jamais terem lido completamente obras referenciais dos principais autores da nossa história (Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Jr.), ou da história mundial (Marc Bloch, Fernand Braudel, Jacques Le Goff, Eric Hobsbawn e outros). Lerão, sim, um ou alguns capítulos de uma ou outra obra destes autores, e não por afeto, mas por estes serem indicados pelos professores na bibliografia obrigatória do curso.
Além de desestimulada, cada vez mais o tempo necessário para a leitura interessada tem ficado escasso. Se é certo que um dos problemas deve-se ao fato de muitos alunos trabalharem enquanto estão se graduando, também contribui para essa "falta de tempo" o fato de muitos alunos serem incentivados a buscar, precocemente, uma leitura mais específica em torno do tema que pretendem seguir carreira nas próximas fases de sua vida acadêmica (mestrado e doutorado). Cada vez mais alunos do 3o. e 4o. ano da graduação são vistos pelos corredores formulando as bases dos seus projetos de mestrado ao invés de seguir na leitura básica em função de uma formação mais sólida.
Entendo que a velocidade com que se pretende titular novos pesquisadores, talvez por pressão da legislação vigente, com suas metas e notas baseadas na quantidade de pesquisas entregues pelas universidades, têm substituído uma formação sólida e baseada no prazer por outra muito menos teórica e embasada, voltada apenas a atender essa legislação que mede quantitativamente a produção acadêmica. Como bem disse Coli, todo este processo acaba por esterelizar o prazer da leitura. Pior, acabam diminuindo o conhecimento e capacidade analítica das nossas próximas gerações de historiadores, já que "apenas essa frequentação [dos livros] conduz ao saber mais profundo, em grande parte intuitivo e silencioso."
Para ter uma ideia mais completa do que estou falando, clique aqui para conferir a coluna deste último domingo de Jorge Coli na Folha de S.Paulo.
Eis que, sem querer, encontrei uma aula de História já prontinha em forma de música. Nem precisa de comentários, né? Salve Jorge!
Zumbi Jorge Ben Jor
Angola Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo Aqui onde estão os homens Há um grande leilão Dizem que nele há Um princesa à venda Que veio junto com seus súditos Acorrentados num carro de boi Eu quero ver Eu quero ver Eu quero ver Angola Congo Benguela Monjolo Cabinda Mina Quiloa Rebolo Aqui onde estão os homens Dum lado cana de açúcar Do outro lado o cafezal Ao centro senhores sentados Vendo a colheita do algodão tão branco Sendo colhidos por mãos negras Eu quero ver Eu quero ver Eu quero ver Quando Zumbi chegar O que vai acontecer Zumbi é senhor das guerras È senhor das demandas Quando Zumbi chega e Zumbi É quem manda Eu quero ver Eu quero ver Eu quero ver
Você conhece o Skoob? Ainda não??? É bem provável que você, leitor deste blog e meu amigo, tenha acabado de receber um convite meu para entrar nessa rede social de leitores. O nome vem da palavra livros, em inglês e ao contrário. Trata-se de um site que permite ao usuário compartilhar não apenas suas leituras, mas também suas avaliações dos livros, fazer e compartilhar resenhas, curtos comentários ou, se preferir, escrever históricos de leitura adicionando notas específicas das páginas. Trata-se de um orkut dos livros lidos pelos usuários.
Mais do que simplesmente compartilhar leituras e opiniões, o site traça uma rede dos usuários que leram cada livro cadastrado e mostra a você todos os outros usuários que leram o mesmo livro que você. Há opções que permitem ao usuário que ele veja o que seus amigos andam lendo e, mais interessante ainda, opções que possibilitam ao usuário se cadastrar como seguidor de algum outro usuário/leitor. Digo que é mais interessante porque deve ser animador para o ego ter uma lista de usuários que tenham se cadastrado como seus seguidores, não é?
Recomendo bastante que vocês entrem e vão cadastrando os livros que vocês leram. Não precisa ser todos, comece pela última leitura e vá vendo quantos dos usuários cadastrados já o leram e o que alguns disseram sobre aquele livro. Caso ninguém tenha lido o livro, você pode cadastrá-lo e ser o primeiro a opinar. O endereço do site é http://www.skoob.com.bre é só entrar pra aprender a ir usando e compartilhando suas leituras. Boa Sorte!
Demorou a passar, mas em fim, chegamos à quarta-feira de cinzas. Graças ao bom Deus, não vi nada sobre o carnaval este ano, já que me escondi nas montanhas mineiras ouvindo o bom e velho rock n' roll de sempre. Isolamento propício para reflexões sobre o futuro próximo.
De volta ao lar na frenética Sampa, finalmente chegou o tempo de tomar decisões. Decisões adiadas por quase 18 meses, mas que sabia que em um momento teria que tomá-las. Parece que voltei aos meus 17 anos, quando tinha que escolher a profissão e começar a nova vida diante dos muitos caminhos que se abriam à minha frente. Novamente cheguei diante da mesma encruzilhada e me é dado a oportunidade de escolher mais uma vez. Vários caminhos possíveis e só posso escolher um. Qual deles será? O fácil e largo ou o difícil e estreito?
Aqui vai mais um post ainda sob impacto do texto machadiano. Após a leitura recente de uma coletânea de contos classificados como 'filosóficos', encontrei um que mostrou uma preocupação de Machado que, sinceramente, eu não esperava encontrar. Escrito em 1887 e publicado na Gazeta de Notícias sob o título de 'Eterno', Machado trata neste conto de um assunto ainda muito caro aos historiadores de hoje, que é o problema da História do Presente. Apesar de não ser este o foco do seu conto, que se dedica à questão do tempo e da subjetividade (além da subjetividade do tempo), em um determinado trecho o narrador da história tenta se desculpar pela indiscrição de escrever suas memórias e citar as pessoas que ainda estão vivas e podem sentir-se embaraçadas com o seu texto. A desculpa do narrador é que já se passaram 27 anos desde que os fatos aconteceram e que o tempo se encarregará de transformar as indiscretas memórias em documento histórico. Vejam o trecho que ao qual me refiro abaixo:
Trecho extraído de 'ETERNO' em Contos de Machado de Assis: Filosofia (vol. 3) Rio de Janeiro: Record, 2008. Pgs. 177-190 "Confio do tempo, que é um insigne alquimista. Dá-se lhe um punhado de lodo, ele o restitui em diamantes; quando menos em cascalho. Assim é que, se um homem de Estado escrever e publicar as suas memórias, tão sem escrúpulo, que lhes não falte nada, nem confidências pessoais, nem segredos do governo, nem até amores particularíssimos e inconfessáveis, verá que escândalo levanta o livro. Dirão, e dirão bem, que o autor é um cínico, indigno dos homens que confiaram nele e das mulheres que o amaram. Clamor sincero e legítimo, porque o caráter público impõe muitos resguardos; os bons costumes e o próprio respeito às mulheres amadas constrangem ao silêncio...
... Mas deixai pingar os anos na cuba de um século. Cheio o século, passa o livro a documento histórico, psicológico anedótico. Hão de lê-lo a frio; estudar-se-á nele a vida íntima do nosso tempo, a maneira de amar, a de compor os ministérios e deitá-los abaixo, se as mulheres eram mais animosas que dissimuladas, como é que se faziam eleições e galanteios, se eram usados xales ou capas, que veículos tínhamos, se os relógios eram trazidos à direita ou à esquerda, e multidão de coisas interessantes para a noss história pública e íntima."
Agora que já passou o frisson dos 100 anos da morte de nosso maior escritor, acho que posso fazer uma citação de mais um conto GENIAL dele. O conto chama-se "Idéias de Canário" e foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias em 15-11-1895 com o título de "Que é o Mundo?". O conto narra a história fantastica de um homem que encontra um canário numa loja de belchior (brechó) e, desde seu primeiro encontro, passa a travar um diálogo com o mesmo que passa a descrever o que é o mundo a partir de seu ponto de vista e em diferentes situações. Logo no primeiro encontro, a definição que o canário dá ao professor é:
"O mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira."
Depois ele vai dando outras definições e é aí que está o encanto e o segredo do conto: o fato de a percepção da realidade ser subjetiva, isto é, depender não apenas dos olhos do observador, mas também de sua situação de momento. Assim, não há uma única realidade, nem mesmo uma para cada pessoa/animal, mas várias, durante uma única vida. É isso aí, é Machadão seguindo a linha de Descartes e fazendo a Matrix mesmo antes da Matrix.
Com todo o justo sucesso do Curioso Caso de Benjamin Button nos cinemas, resolvi comprar o livro recém reeditado e lançado pela José Olympio Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias, de F. Scott Fitzgerald. Para os desavisados, este é o livro onde saiu originalmente o conto O Curioso Caso de Benjamin Button que deu origem ao filme homônimo estrelado por Brad Pitt.
Minha curiosidade era tamanha que, logo após comprar o livro e chegar em casa, já fui ler o conto e verificar se ele era mesmo tão bacana quanto o filme o fazia parecer. Para minha surpresa, e acho que esta é a primeira vez que isso acontece, devo admitir que o filme é muito melhor que a obra literária. Ao que parece, o roteirista do filme aproveitou apenas o nome do personagem e a idéia central do conto para fazer a versão cinematográfica, no mais, as histórias são completamente diferentes. Até mesmo o período em que ocorrem, o nascimento de Button, as paixões de sua vida, enfim, tudo, é muito diferente. O conto além de fantástico e cômico, tem também um tom irônico/sarcástico, mas me pareceu bem menos profundo do que o filme. Este sim, além de ser, como dizem, uma fabula sobre o tempo, nos faz refletir sobre temas como as oportunidades perdidas, o arrependimento pela não ação e otras cositas más.
A quem não viu o filme, recomendo-o fortemente. Aproveitem e levem um lenço para enxugar as lágrimas que, mesmo sem querer, acabam escapando no decorrer do filme. A quem está curioso para ler o conto, também recomendo-o, mas com estas ressalvas. Seria melhor ler o conto primeiro para ver o filme em seguida, caso contrário a decepção pode parecer ainda maior.
PS: Saiu também uma versão do Curioso Caso de Benjamin Button em quadrinhos. Essa versão é bem fiel ao conto literário e não deixa nada a desejar a esta. Àqueles que preferem quadrinhos, acho melhor ver o conto através deles, pois ali ele ganha uma roupagem mais atraente do que o conto em sua versão puramente literária.
Pois é, nessa segunda-feira saiu mais um comentário meu na seção Painel do Leitor na Folha de S.Paulo. Desse jeito vou me acostumar e pedir mais espaço para ter uma coluna só minha.
Leitor do Perfect Sense leu primeiro, já que o publiquei originalmente aqui antes de enviá-lo a Folha.
O Gilberto Dimenstein deu destaque em sua coluna dominical na Folha de S.Paulo que3.000 professores tiraram nota zero no teste aplicado pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo para medir o nível de conhecimento sobre o que eles ensinam em sala de aula. A prova foi realizada por 214 mil professores, dos quais apenas 111 tiraram a nota máxima. Ainda não se fez uma tabulação, mas se estima que cerca de metade ficou abaixo da nota cinco.
A questão não se resolve apenas ao apontar o óbvio ululuante que é o absurdo da situação, já velha conhecida de todos: a falta de preparo do professor das escolas públicas. Cabe a todos na sociedade, em especial a esses jornalistas que acompanham a educação mais de perto, investigar como o governo do Estado de São Paulo vem agindo para mudar a situação e cobrar das autoridades atitudes e medidas para reverter o quadro. Nos últimos 12 anos de governo tucano não vejo nenhuma ação eficaz do governo para com os professores do estado visando combater essa nefasta realidade. Infelizmente!
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo nesta última sexta-feira, José Sarney discorreu sobre as dificuldades com que se deparou ao fazer uma lista com os dez livros que mais haviam marcado sua vida. Para encabeçar o texto elegeu o provocante título "A Arte de Escolher". A mim, pobre mortal, após ler o texto e ainda sob impacto do título, restou apenas uma dúvida: não seria mais apropriado a nosso imortal um artigo que versasse sobre a arte de ser escolhido? Afinal de contas, nisso aí ele tem vaaaaaasta experiência.
Retiro parcialmente o que eu disse: o fato de eu ter lido o livro antes de ver o filme estragou um pouco meu prazer ao assistir a obra, já que há surpresas reservadas para o fim do mesmo. De qualquer modo, recomendo totalmente tanto livro quanto filme. Foram muito bem feitos e a Kate Winslet realmente está muito bem no papel de Hanna Schmitz, merece mesmo indicação ao Oscar. Curioso é o fato de que ela não era a atriz originalmente escolhida para o papel, mas sim Nicole Kidman.
As férias estão sendo bem proveitosas com relação a leituras, seja de livros específicos de história ou de livros para "descanso", como costumo chamar. Devo ter livro mais de dez livros desde meados de dezembro, quando se iniciaram as férias, até o começo de fevereiro. Não digo isso porque queira me gabar, mas tenho um bom sentimento quando vejo que aproveitei bem minhas férias. Especialmente porque junto a toda essa leitura, também recordo que assisti a muitos filmes, talvez o mesmo tanto de livros que tenha lido.
Por falar nisso, o livro que estou lendo agora une justamente essas duas artes: cinema e literatura. O Leitor, de Bernhard Schlink, deve estrear aqui no Brasil nessa sexta-feira, dia 06/02. Minha intenção é terminar a leitura antes de ir assistir ao filme, uma vez que assistí-lo antes de lê-lo estragaria muito mais a surpresa do livro do que o contrário, penso eu, que tenho mais prazer na leitura do que no cinema.
Outras leituras que fiz que juntam esses dois mundos foram Gomorra, O Curioso Caso de Benjamin Button e O Menino de Pijamas Listrados.
PS: Numa dessas perambuladas que dou quase diariamente nas livrarias, vi que saiu em livro o Operação Valquíria, estreado por Tom Cruise nas telonas. Será que vou me interessar por ele também? Curioso notar o lançamento de muitas obras, tanto no cinema quanto na literatura, com o nazismo e a II Guerra Mundial como pano de fundo. Terão alguma relação com a situação atual dos judeus e a questão palestina? Será que querem rememorar a todo tempo o holocausto? Perguntas que incomodam...
Nos últimos tempos tenho aproveitado melhor minha assinatura da Folha de S.Paulo e lido praticamente todos os dias o jornal supracitado. Mais do que isso, eventualmente, quando surge alguma notícia, artigo ou texto que valha a pena, tenho enviado comentários ao jornal. No último mês enviei dois e tive a satisfação de vê-los publicados nos jornais do dia 05/01 e 02/02.
O primeiro, apesar de não gostar da Eliane Catanhêde, fui obrigado a concordar com seu texto que versava sobre o fato de o Maranhão ser um estado rico, mas que toda essa riqueza, infelizmente, não retorna para os moradores do respectivo estado. Já o segundo, é o reconhecimento pela iniciativa do governo do Estado de São Paulo em transformar a casa das retortas, no centro da cidade, no museu de História de São Paulo. Para ver os comentários na íntegra, clique nos links abaixo.
Ao publicar em seu blog a imagem que reproduzo abaixo, George Bourdoukan nos pergunta quem é, afinal de contas, a nação terrorista nessa última contenda. Veja e reflita você mesmo.
Para quem gosta de comprar livros, amanhã terá início em São Paulo uma daquelas feiras imperdíveis que, somente de imaginar deixar essa oportunidade passar, já vou ficando azedo. A X Feira do Livro da USP virá com mais de 100 editoras neste ano e, como sempre, com o desconto mínimo de 50% para cada livro. Quem ainda não foi, está aí uma grande oportunidade de conhecer. Quem já foi, aproveite ao máximo, pois em 3 dias dá até pra gastar mais de R$500,00 em livros, sem culpa alguma já que, na verdade, você estará é economizando, no mínimo, R$500,00.
Fato que não gostamos de aceitar é que pessoas vêm e pessoas vão de nossas vidas o tempo todo. Umas saem tão rapidamente como entraram e, dessas, raramente nos lembramos. Talvez apenas quando estamos nostálgicos, revirando a memória em busca de uma lembrança boa ou por alguém especial que já não vemos mais e, subitamente, reaparecem essas pessoas que passaram por nós quase sem deixar marcas.
Em contrapartida, outras pessoas entram, ficam por muito tempo fazendo parte de sua vida cotidiana e se tornam, quase, parte de você mesmo. Daí, por um motivo bobo ou outro, também acabam saindo de nossas vidas. Claro, dessa vez o processo é muito mais lento e doloroso. Sempre é difícil destacar algo que aderiu a sua própria carne. Algo que, sem o qual, você não via mesmo como continuar "essa longa estrada da vida". Depois de algum tempo, restam as marcas, verdadeiras cicatrizes em nossa alma que insistem, a cada momento, a nos lembrar da falta que essa pessoa nos faz.
Infelizmente, estou percebendo que a vida é assim mesmo, por mais que pensemos que não. Aliás, por mais que gostemos de acreditar que certas pessoas estarão presentes em nossas vidas até o dia de nossa morte (ou da delas). Evidente que o sentimento fraternal, a lembrança terna dos bons momentos quando essas pessoas nos vêm à mente, esses continuarão sempre os mesmos, embora uma dessas circunstâncias da vida tenha forçado em fazer-nos distantes uns dos outros, ainda que muito próximos fisicamente.
Dentre muitos trechos que se poderia destacar do brilhante documentário Encontro com Milton Santos: por uma outra globalização, de Sílvio Tendler, escolhi postar aqui o trecho em que José Saramago discursa sobre a falsa democracia em que vivemos. Há muito venho debatendo com amigos sobre este tema e chegando às mesmas conclusões expostas por Saramago em sua fala. Obviamente, o prêmio nobel tem um texto e uma retórica muito melhor do que a nossa, mas vale à pena refletir sobre essas palavras que, seguramente, poucos pararam para pensar, iludidos que são por essa mídia perversa que nos controla.
Para quem está com preguiça de ver o vídeo, segue transcrição do que Saramago fala em seu discurso:
FALA DE JOSÉ SARAMAGO EXTRAÍDA DO FILME
ENCONTRO COM MILTON SANTOS: POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO.
Tudo se discute nesse mundo, menos uma única coisa que não se discute. Não se discute a democracia. A democracia esta aí, como se fosse uma espécie de santa de altar, de quem já não se esperam milagres, mas que está aí como uma referência. Uma referência: a democracia. E não se repara que a democracia que vivemos é uma democracia seqüestrada, condicionada, amputada. Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós limita-se, na esfera política, repito, na esfera política, a tirar um governo de que não se gosta e a por outro de que talvez se venha a gostar. Nada mais.
Mas as grandes decisões, as grandes decisões são tomadas em uma outra esfera e todos sabemos qual é: as grandes organizações financeiras internacionais, o FMI, a Organização Mundial do Comércio, os bancos mundiais, a USDE, tudo isso. Nenhum desses organismos são democráticos e, portanto, como é que podemos continuar a falar de democracia se aqueles que efetivamente governam o mundo não são elegidos ou eleitos democraticamente pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações? Os respectivos povos? Não! Onde é que está então a democracia?
Se aproxima a data de mais um Churrascus Extremensis, o quarto a ser realizado em menos de um ano. Para ir aquecendo, uma montagem pra relembrar os três anteriores.
I met a traveller from an antique land Who said: Two vast and trunkless legs of stone Stand in the desert. Near them on the sand, Half sunk, a shatter'd visage lies, whose frown And wrinkled lip and sneer of cold command Tell that its sculptor well those passions read Which yet survive, stamp'd on these lifeless things, The hand that mock'd them and the heart that fed. And on the pedestal these words appear: "My name is Ozymandias, king of kings: Look on my works, ye Mighty, and despair!" Nothing beside remains: round the decay Of that colossal wreck, boundless and bare, The lone and level sands stretch far away.
Escrito por Percy Bysshe Shelley em 1817. Shelley, conhecido poeta romantico inglês, teria escrito para um concurso de escritores e este poema teria sido selecionado por seu editor para ser publicado em um de seus livros.
Cá estou eu, ainda vivo, depois de uma semana inteira no Encontro Nacional de Estudantes de História (ENEH). Este ano o encontro se deu na histórica cidade mineira de São João Del Rey, na rota da Estrada Real que liga Diamantina ao Rio de Janeiro e também a Paraty.
Se fosse resumir o encontro em uma única frase, concordaria com uma que foi inúmeras vezes repetidas durante o encontro: "aqui é onde se separam os meninos dos homens e as "muierzinhas" das "mulé".
É inegável que houve muita coisa de bom e proveitável no evento, como alguns minicursos, palestras e, é claro, a sociabilização com estudantes de história de todo o país onde, em nossas conversas, descobrimos a quantas andam o descaso de nosso governo com a Universidade Pública. Também não poderia deixar de citar a beleza do local onde nos encontrávamos. A encantadora cidadezinha de Tiradentes com sua praça mais do que aprazível e seus bares onde deixávamos, além de nossas parcas economias, as tardes passarem lentamente saboreando cervejas artesanais mineiras com porções de acepipes regionais e uma tal de provoleta que não há nem como descrever.
Porém, o que mais marcou no encontro foi uma certa decepção que tive com os colegas e futuros historiadores do país, além de uma sensação de que jamais poderemos educar pessoas se nós mesmos ainda não somos mínimamente educados para convivermos juntos, sequer por sete dias. Ali estava reunida a elite do que, em poucos anos, serão os educadores de todo o Brasil e a frase que não quer sair da minha cabeça foi a de uma das encarregadas pela limpeza dos banheiros do local dizendo que jamais deixaria que seus filhos participassem de encontros como aquele, além de temer pelo ensino que esses futuros professores poderiam dar para as crianças.
Não vou citar aqui os problemas crônicos que vi e que me decepcionaram tanto, porque me envergonho deles por ser parte do grupo que lá se reuniu. Mas definitivamente, depois deste encontro ficou claro para mim quem são os homens e os meninos da faculdade onde estudo. Ficou claro, também, que a tal revolução que imaginava ser possível realizar pela educação, a depender de nossos estudantes de escola pública, está bem mais longe do que pensava.
O que me anima, é que a maioria dos estudantes ficaram em seus estados natais, e que ali se encontravam bem menos do que 5% do total dos estudantes de História do país. Resta acreditar que nesses outros estudantes é com quem poderemos revolucionar a educação no país.
Porque o mundo todo está se transformando rapidamente em uma versão piorada dos Estados Unidos e todos preferem acreditar que ainda existem fronteiras.
Em entrevista publicada pela Folha de São Paulo nesta última segunda-feira, quando perguntado se acreditava no choque das civilizações, o filósofo Edgard Morin soltou a seguinte frase:
"Não acredito no choque de civilizações, acredito na volta da barbárie em suas mais diversas formas."
Acho que esta frase merece, além do destaque, um pouco de reflexão de nossa parte, pois atualmente acabamos por ver muitas pessoas assumindo discursos espalhados pela mídia e por uma intelectualidade engajada com ideais políticos que nem sempre são aqueles que elas gostariam de assumir.
Por trás dessa expressão, "choque de civilizações", se escondem muitas artimanhas e se justificam tantas atitudes belicosas e intransigentes do que a aparente capacidade de assimilação cultural do ser humano. Na verdade, como bem lembra Edgard Morin, não há um choque de civilizações, já que árabes mulçumanos, israelitas e cristãos, por exemplo, convivem e assimilam culturas vivendo uns nos países dos outros há milhares anos. O que há mesmo são humanos regredindo a um estágio de barbárie tão grande, originada por um fracasso local da democracia e do socialismo (especialmente nos países islâmicos), que acabam fazendo com que alguns membros daquela sociedade acabem recorrendo ao fundamentalismo religioso e a idéias nacionalistas que os tornam incapazes de lidar com o outro.
O mesmo se dá dos outros lados (cristãos e israelitas) que, em função de suas frustrações locais, acabam se utilizando de suas religiões monoteístas como instrumentos de imcompreensão do outro, causando o que se chamou de "choque de civilizações" e, na verdade, não passa da velha incapacidade humana de lidar com seus próprios problemas e transferí-los para as costas alheias. Jesus Cristo que o diga como os humanos são assim.
A versão do Toy Dolls é a melhor, mas a original com o Charlie Daniels Band é muito boa também. Divirtam-se com a letra da música e, se possível, não deixem de baixar a versão do Toy Dolls.
The Devil Went Down To Georgia Lyrics Artist(Band):The Charlie Daniels Band
The devil went down to Georgia. He was lookin' for a soul to steal. He was in a bind 'cause he was way behind, and he was willin' to make a deal, when he came across this young man sawin' on a fiddle and playin' it hot. And the devil jumped up on a hickory stump and said, "Boy, let me tell you what.
I guess you didn't know it but I'm a fiddle player, too. And if you'd care to take a dare, I'll make a bet with you. Now, you play pretty good fiddle, boy, but give the devil his due. I'll bet a fiddle of gold against your soul, 'cause I think I'm better than you." The boy said, "My name's Johnny, and it might be a sin. But I'll take your bet, you're gonna regret, 'cause I'm the best that's ever been."
Johnny, rosin up your bow and play your fiddle hard, 'cause hell's broke loose in Georgia and the devil deals the cards. And if you win you get this shiny fiddle made of gold. But if you lose, the devil gets your soul.
The devil opened up his case and he said, "I'll start this show." And fire flew from his fingertips as he rosined up his bow. And he pulled the bow across the strings and it made an evil hiss. Then a band of demons joined in and it sounded somethin' like this:
When the devil finished, Johnny said, "Well, you're pretty good, old son, but sit down in that chair right there and let me show you how it's done.
Fire on the mountain. Run, boys, run. The devil's in the House of the Rising Sun. Chicken in the bread pan pickin' out dough. Granny, does your dog bite? No, child, no.
The devil bowed his head because he knew that he'd been beat. And he laid that golden fiddle on the ground at Johnny's feet. Johnny said, "Devil, just come on back if you ever want to try again. 'Cause I told you once, you son of a BITCH, I'm the best that's ever been."
Que o Chico Buarque é um gênio todo mundo já sabe, portanto acho que seria dispensável gastar muitas linhas neste blog para chegar à uma conclusão que quase todos já sabem de antemão. Contudo, ao (re)ouvir no último fim de semana a canção que dá título a este post, não pude me negar a escrever umas linhas sobre a letra desta música e compartilhar a admiração e tamanha comoção que sinto ao ouví-la. De antemão digo que jamais deixo de me perguntar como é que esse cara consegue compor letras tão significativas e musicá-las de modo tão melódico e harmônico com suas letras? É um fenômeno!
Composta em 1969, Rosa dos Ventos é uma letra onde pode-se perceber claramente o momento em que foi escrita. Cheia da tensão imposta pela ditadura militar que vinha desde 64, que àquela altura estava ainda mais dura, Chico parte para o ataque acusando os militares de trazer tempos trágicos e pálidos que fazia com que a gente caminhasse pelas trevas, murmurando pelas pregas e tirando leite das pedras somente vendo e esperando o tempo correr, sem nada poder fazer. Apesar disso, Chico nutria a esperança de que haveria de chegar o momento em que essa gente, o povo, não suportando mais essa vida amarga imposta pelos ditadores, se revoltaria e nem a prudência dos sábios poderia conter o sorriso e a paixão que haveria de os libertar.
Na parte mais bela da música, em minha humilde opinião, Chico associa à essa tão desejada revolta popular, a imagem da pororoca que, nascendo das calmas águas doces, quando põem-se a mover, torna-se incontrolável inundado o mar de água doce. Lindíssima a associação que ele faz da ditadura com a amargura do mar e do povo com a água doce. Mais do que isso, linda a imagem que ele cria de que, tal qual uma pororoca amazônica - que surge de águas calmas, zanga-se incontrolável, enche o leito dos rios e inunda o mar de água doce amainando a amargura do mar - o povo haveria de se revoltar, incontrolável, acabando com a amargura daqueles tempos.
Falar mais o quê?
ROSA DOS VENTOS Chico Buarque
E do amor gritou-se o escândalo Do medo criou-se o trágico No rosto pintou-se o pálido E não rolou uma lágrima Nem uma lástima para socorrer E na gente deu o hábito De caminhar pelas trevas De murmurar entre as pregas De tirar leite das pedras De ver o tempo correr Mas sob o sono dos séculos Amanheceu o espetáculo Como uma chuva de pétalas Como se o céu vendo as penas Morresse de pena E chovesse o perdão E a prudência dos sábios Nem ousou conter nos lábios O sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores A calma dos lagos zangou-se A rosa-dos-ventos danou-se O leito do rio fartou-se E inundou de água doce A amargura do mar Numa enchente amazônica Numa explosão atlântica E a multidão vendo em pânico E a multidão vendo atônita Ainda que tarde O seu despertar
Na Folha de domingo passado (27/01) o ilustre poeta maranhense Ferreira Gullar fez várias perguntas intrigantes em artigo intitulado "Perguntas que não querem calar". Destas várias perguntas gostaria de destacar uma que se refere a excludente denominação "afro-brasileiros" que se dá aos brasileiros negros (de origem africana, mesmo que em imemoráveis gerações).
Em seu artigo, Gullar se pergunta se a designação de negros e pardos como "afro-brasileiros" não significaria o mesmo que dizer que os brasileiros mesmo seriam apenas os "brancos"? Apimentando ainda mais sua indagação, o poeta segue provocando ao questionar se passássemos a denominar os respectivos descendentes de europeus e japoneses de euro-brasileiros ou nipo-brasileiros, por exemplo, o que acabaria restando como povo brasileiro: os índios? E se esses passassem, então, a dizer que já estavam aqui antes mesmo da criação do Brasil?
Artigo corajoso, esse, acaba nos fazendo pensar se a importação de um termo estadunidense (afro-american) em nossa sociedade não beira a hipocrisia de utilizarmos apenas externamente termos politicamente corretos ao invés de seguir o caminho da educação propriamente dita. Ao que me parece, tais termos ajudam ainda mais a segregar grupos, como o próprio Gullar sugere. Enquanto se utiliza externamente o termo "afro-brasileiro", sabemos que em seu íntimo muitos brasileiros seguem com um pensamento racista arraigados em suas entranhas e que só seria minimizado com educação e não com neo-logismos. É uma pena que o mundo todo prefere sempre o caminho mais fácil do politicamente correto ao invés de se discutir a sério qualquer assunto. Assim, perdemos excelente oportunidade de divulgar à sociedade que, entre os humanos, não existem raças distintas, apenas uma: a raça humana.
Enfim, cabe aqui minha reverência ao ilustre poeta maranhense e os meus sinceros parabéns pela coragem e pelo brilhante artigo.
Para quem mora ou está de passagem em São Paulo e ainda não conhece(u) o Museu da Língua Portuguesa, esta é uma boa oportunidade para conhecê-lo. Em novembro/2007 este fabuloso museu iniciou a exposição temporária Gilberto Freyre - Intérprete do Brasil que ficará em exposição até o dia 04/05/2008.
Eu tive o prazer de visitar esta exposição na terça-feira passada, dia 08/01, e fiquei bem contente com o resultado que a curadoria conseguiu atingir. Mesmo quem não conhece nada sobre Gilberto Freyre, sai de lá com muito interesse em saber mais sobre sua vida e sua obra. Para quem conhece um pouco mais, é gratificante ver algumas das correspondências trocadas com importantes intelectuais de diferentes áreas (Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato e outros), documentos pessoais e manuscritos da produção historiográfica (Casa Grande & Senzala, Sobrados & Mocambos, etc.) deste que é um dos grandes nomes da intelectualidade brasileira de todos os tempos. Recomendo que quem visite o museu leve R$ 20,00 a mais para comprar o catálogo que é oferecido no corredor final da exposição.
O museu funciona de terça a domingo das 10:00 as 18:00h e o ingresso custa só R$4,00 (nos domingos a entrada é gratuita). Não deixe de ir.
Quem ainda não teve o prazer de tomar uma La Trappe, não deveria perder mais tempo. Sim, sim, ela é cara, mas deixe de tomar aquelas cervejas chinfrins que você toma por uma semana para tomar os 750ml desse creme de cerveja que pode ser facilmente encontrado nos pubs de São Paulo (Drakes, Sabor do Sul e Bezerra são exemplos de bares/adegas que vendem esta cerveja). Abaixo deixo um pouco da história dessa cerveja pra vocês.
Existem apenas sete cervejas Trapistas no mundo e nós temos uma delas: a LA TRAPPE - A única trapista holandesa.
A La Trappe é produzida no monastério de “Onze Lieve Vrouwe van Koningshoeven” na provincia de North Brabant, onde, desde 1884 os monges vem produzindo uma verdadeiramente gloriosa cerveja, para reais conhecedores, utilizando métodos tradicionais.
Os pequenos detalhes que criam uma grande cerveja trapista
A receita criada pelos monges trapistas proporciona aos connoisseurs o prazer da tradicional cerveja La Trappe por mais de cem anos. Um método que não requer nada além de ingredientes puros e naturais: lúpulo, cevada, fermento e água, da fonte de Koningshoeven. A fermentação ocorre utilizando uma espécie de fermento que é mais ativo em temperaturas entre 18 e 20º C. Este processo é chamado de “alta fermentação”. Depois, a cerveja é engarrafada, mantendo o fermento e a maltose, ficando livre para fermentar dentro da própria garrafa, desenvolvendo seu aroma único. Tanto o sabor quanto o aroma continuam evoluindo, durante todo o tempo. E o resultado é a La Trappe: uma autêntica cerveja trapista.
Os monges trapistas já não trabalham mais na produção, mas continuam de olhos atentos em todo o processo e são os proprietários da marca registrada La Trappe. Somente se a cerveja é realmente produzida em um monastério trapista ela pode ser chamada de cerveja trapista. Uma garantia de autenticidade, técnica e tradição.