Cá estou eu, ainda vivo, depois de uma semana inteira no Encontro Nacional de Estudantes de História (ENEH). Este ano o encontro se deu na histórica cidade mineira de São João Del Rey, na rota da Estrada Real que liga Diamantina ao Rio de Janeiro e também a Paraty.
Se fosse resumir o encontro em uma única frase, concordaria com uma que foi inúmeras vezes repetidas durante o encontro: "aqui é onde se separam os meninos dos homens e as "muierzinhas" das "mulé".
É inegável que houve muita coisa de bom e proveitável no evento, como alguns minicursos, palestras e, é claro, a sociabilização com estudantes de história de todo o país onde, em nossas conversas, descobrimos a quantas andam o descaso de nosso governo com a Universidade Pública. Também não poderia deixar de citar a beleza do local onde nos encontrávamos. A encantadora cidadezinha de Tiradentes com sua praça mais do que aprazível e seus bares onde deixávamos, além de nossas parcas economias, as tardes passarem lentamente saboreando cervejas artesanais mineiras com porções de acepipes regionais e uma tal de provoleta que não há nem como descrever.
Porém, o que mais marcou no encontro foi uma certa decepção que tive com os colegas e futuros historiadores do país, além de uma sensação de que jamais poderemos educar pessoas se nós mesmos ainda não somos mínimamente educados para convivermos juntos, sequer por sete dias. Ali estava reunida a elite do que, em poucos anos, serão os educadores de todo o Brasil e a frase que não quer sair da minha cabeça foi a de uma das encarregadas pela limpeza dos banheiros do local dizendo que jamais deixaria que seus filhos participassem de encontros como aquele, além de temer pelo ensino que esses futuros professores poderiam dar para as crianças.
Não vou citar aqui os problemas crônicos que vi e que me decepcionaram tanto, porque me envergonho deles por ser parte do grupo que lá se reuniu. Mas definitivamente, depois deste encontro ficou claro para mim quem são os homens e os meninos da faculdade onde estudo. Ficou claro, também, que a tal revolução que imaginava ser possível realizar pela educação, a depender de nossos estudantes de escola pública, está bem mais longe do que pensava.
O que me anima, é que a maioria dos estudantes ficaram em seus estados natais, e que ali se encontravam bem menos do que 5% do total dos estudantes de História do país. Resta acreditar que nesses outros estudantes é com quem poderemos revolucionar a educação no país.
Porque o mundo todo está se transformando rapidamente em uma versão piorada dos Estados Unidos e todos preferem acreditar que ainda existem fronteiras.
Em entrevista publicada pela Folha de São Paulo nesta última segunda-feira, quando perguntado se acreditava no choque das civilizações, o filósofo Edgard Morin soltou a seguinte frase:
"Não acredito no choque de civilizações, acredito na volta da barbárie em suas mais diversas formas."
Acho que esta frase merece, além do destaque, um pouco de reflexão de nossa parte, pois atualmente acabamos por ver muitas pessoas assumindo discursos espalhados pela mídia e por uma intelectualidade engajada com ideais políticos que nem sempre são aqueles que elas gostariam de assumir.
Por trás dessa expressão, "choque de civilizações", se escondem muitas artimanhas e se justificam tantas atitudes belicosas e intransigentes do que a aparente capacidade de assimilação cultural do ser humano. Na verdade, como bem lembra Edgard Morin, não há um choque de civilizações, já que árabes mulçumanos, israelitas e cristãos, por exemplo, convivem e assimilam culturas vivendo uns nos países dos outros há milhares anos. O que há mesmo são humanos regredindo a um estágio de barbárie tão grande, originada por um fracasso local da democracia e do socialismo (especialmente nos países islâmicos), que acabam fazendo com que alguns membros daquela sociedade acabem recorrendo ao fundamentalismo religioso e a idéias nacionalistas que os tornam incapazes de lidar com o outro.
O mesmo se dá dos outros lados (cristãos e israelitas) que, em função de suas frustrações locais, acabam se utilizando de suas religiões monoteístas como instrumentos de imcompreensão do outro, causando o que se chamou de "choque de civilizações" e, na verdade, não passa da velha incapacidade humana de lidar com seus próprios problemas e transferí-los para as costas alheias. Jesus Cristo que o diga como os humanos são assim.
A versão do Toy Dolls é a melhor, mas a original com o Charlie Daniels Band é muito boa também. Divirtam-se com a letra da música e, se possível, não deixem de baixar a versão do Toy Dolls.
The Devil Went Down To Georgia Lyrics Artist(Band):The Charlie Daniels Band
The devil went down to Georgia. He was lookin' for a soul to steal. He was in a bind 'cause he was way behind, and he was willin' to make a deal, when he came across this young man sawin' on a fiddle and playin' it hot. And the devil jumped up on a hickory stump and said, "Boy, let me tell you what.
I guess you didn't know it but I'm a fiddle player, too. And if you'd care to take a dare, I'll make a bet with you. Now, you play pretty good fiddle, boy, but give the devil his due. I'll bet a fiddle of gold against your soul, 'cause I think I'm better than you." The boy said, "My name's Johnny, and it might be a sin. But I'll take your bet, you're gonna regret, 'cause I'm the best that's ever been."
Johnny, rosin up your bow and play your fiddle hard, 'cause hell's broke loose in Georgia and the devil deals the cards. And if you win you get this shiny fiddle made of gold. But if you lose, the devil gets your soul.
The devil opened up his case and he said, "I'll start this show." And fire flew from his fingertips as he rosined up his bow. And he pulled the bow across the strings and it made an evil hiss. Then a band of demons joined in and it sounded somethin' like this:
When the devil finished, Johnny said, "Well, you're pretty good, old son, but sit down in that chair right there and let me show you how it's done.
Fire on the mountain. Run, boys, run. The devil's in the House of the Rising Sun. Chicken in the bread pan pickin' out dough. Granny, does your dog bite? No, child, no.
The devil bowed his head because he knew that he'd been beat. And he laid that golden fiddle on the ground at Johnny's feet. Johnny said, "Devil, just come on back if you ever want to try again. 'Cause I told you once, you son of a BITCH, I'm the best that's ever been."
Que o Chico Buarque é um gênio todo mundo já sabe, portanto acho que seria dispensável gastar muitas linhas neste blog para chegar à uma conclusão que quase todos já sabem de antemão. Contudo, ao (re)ouvir no último fim de semana a canção que dá título a este post, não pude me negar a escrever umas linhas sobre a letra desta música e compartilhar a admiração e tamanha comoção que sinto ao ouví-la. De antemão digo que jamais deixo de me perguntar como é que esse cara consegue compor letras tão significativas e musicá-las de modo tão melódico e harmônico com suas letras? É um fenômeno!
Composta em 1969, Rosa dos Ventos é uma letra onde pode-se perceber claramente o momento em que foi escrita. Cheia da tensão imposta pela ditadura militar que vinha desde 64, que àquela altura estava ainda mais dura, Chico parte para o ataque acusando os militares de trazer tempos trágicos e pálidos que fazia com que a gente caminhasse pelas trevas, murmurando pelas pregas e tirando leite das pedras somente vendo e esperando o tempo correr, sem nada poder fazer. Apesar disso, Chico nutria a esperança de que haveria de chegar o momento em que essa gente, o povo, não suportando mais essa vida amarga imposta pelos ditadores, se revoltaria e nem a prudência dos sábios poderia conter o sorriso e a paixão que haveria de os libertar.
Na parte mais bela da música, em minha humilde opinião, Chico associa à essa tão desejada revolta popular, a imagem da pororoca que, nascendo das calmas águas doces, quando põem-se a mover, torna-se incontrolável inundado o mar de água doce. Lindíssima a associação que ele faz da ditadura com a amargura do mar e do povo com a água doce. Mais do que isso, linda a imagem que ele cria de que, tal qual uma pororoca amazônica - que surge de águas calmas, zanga-se incontrolável, enche o leito dos rios e inunda o mar de água doce amainando a amargura do mar - o povo haveria de se revoltar, incontrolável, acabando com a amargura daqueles tempos.
Falar mais o quê?
ROSA DOS VENTOS Chico Buarque
E do amor gritou-se o escândalo Do medo criou-se o trágico No rosto pintou-se o pálido E não rolou uma lágrima Nem uma lástima para socorrer E na gente deu o hábito De caminhar pelas trevas De murmurar entre as pregas De tirar leite das pedras De ver o tempo correr Mas sob o sono dos séculos Amanheceu o espetáculo Como uma chuva de pétalas Como se o céu vendo as penas Morresse de pena E chovesse o perdão E a prudência dos sábios Nem ousou conter nos lábios O sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores A calma dos lagos zangou-se A rosa-dos-ventos danou-se O leito do rio fartou-se E inundou de água doce A amargura do mar Numa enchente amazônica Numa explosão atlântica E a multidão vendo em pânico E a multidão vendo atônita Ainda que tarde O seu despertar
Na Folha de domingo passado (27/01) o ilustre poeta maranhense Ferreira Gullar fez várias perguntas intrigantes em artigo intitulado "Perguntas que não querem calar". Destas várias perguntas gostaria de destacar uma que se refere a excludente denominação "afro-brasileiros" que se dá aos brasileiros negros (de origem africana, mesmo que em imemoráveis gerações).
Em seu artigo, Gullar se pergunta se a designação de negros e pardos como "afro-brasileiros" não significaria o mesmo que dizer que os brasileiros mesmo seriam apenas os "brancos"? Apimentando ainda mais sua indagação, o poeta segue provocando ao questionar se passássemos a denominar os respectivos descendentes de europeus e japoneses de euro-brasileiros ou nipo-brasileiros, por exemplo, o que acabaria restando como povo brasileiro: os índios? E se esses passassem, então, a dizer que já estavam aqui antes mesmo da criação do Brasil?
Artigo corajoso, esse, acaba nos fazendo pensar se a importação de um termo estadunidense (afro-american) em nossa sociedade não beira a hipocrisia de utilizarmos apenas externamente termos politicamente corretos ao invés de seguir o caminho da educação propriamente dita. Ao que me parece, tais termos ajudam ainda mais a segregar grupos, como o próprio Gullar sugere. Enquanto se utiliza externamente o termo "afro-brasileiro", sabemos que em seu íntimo muitos brasileiros seguem com um pensamento racista arraigados em suas entranhas e que só seria minimizado com educação e não com neo-logismos. É uma pena que o mundo todo prefere sempre o caminho mais fácil do politicamente correto ao invés de se discutir a sério qualquer assunto. Assim, perdemos excelente oportunidade de divulgar à sociedade que, entre os humanos, não existem raças distintas, apenas uma: a raça humana.
Enfim, cabe aqui minha reverência ao ilustre poeta maranhense e os meus sinceros parabéns pela coragem e pelo brilhante artigo.
Para quem mora ou está de passagem em São Paulo e ainda não conhece(u) o Museu da Língua Portuguesa, esta é uma boa oportunidade para conhecê-lo. Em novembro/2007 este fabuloso museu iniciou a exposição temporária Gilberto Freyre - Intérprete do Brasil que ficará em exposição até o dia 04/05/2008.
Eu tive o prazer de visitar esta exposição na terça-feira passada, dia 08/01, e fiquei bem contente com o resultado que a curadoria conseguiu atingir. Mesmo quem não conhece nada sobre Gilberto Freyre, sai de lá com muito interesse em saber mais sobre sua vida e sua obra. Para quem conhece um pouco mais, é gratificante ver algumas das correspondências trocadas com importantes intelectuais de diferentes áreas (Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato e outros), documentos pessoais e manuscritos da produção historiográfica (Casa Grande & Senzala, Sobrados & Mocambos, etc.) deste que é um dos grandes nomes da intelectualidade brasileira de todos os tempos. Recomendo que quem visite o museu leve R$ 20,00 a mais para comprar o catálogo que é oferecido no corredor final da exposição.
O museu funciona de terça a domingo das 10:00 as 18:00h e o ingresso custa só R$4,00 (nos domingos a entrada é gratuita). Não deixe de ir.
Quem ainda não teve o prazer de tomar uma La Trappe, não deveria perder mais tempo. Sim, sim, ela é cara, mas deixe de tomar aquelas cervejas chinfrins que você toma por uma semana para tomar os 750ml desse creme de cerveja que pode ser facilmente encontrado nos pubs de São Paulo (Drakes, Sabor do Sul e Bezerra são exemplos de bares/adegas que vendem esta cerveja). Abaixo deixo um pouco da história dessa cerveja pra vocês.
Existem apenas sete cervejas Trapistas no mundo e nós temos uma delas: a LA TRAPPE - A única trapista holandesa.
A La Trappe é produzida no monastério de “Onze Lieve Vrouwe van Koningshoeven” na provincia de North Brabant, onde, desde 1884 os monges vem produzindo uma verdadeiramente gloriosa cerveja, para reais conhecedores, utilizando métodos tradicionais.
Os pequenos detalhes que criam uma grande cerveja trapista
A receita criada pelos monges trapistas proporciona aos connoisseurs o prazer da tradicional cerveja La Trappe por mais de cem anos. Um método que não requer nada além de ingredientes puros e naturais: lúpulo, cevada, fermento e água, da fonte de Koningshoeven. A fermentação ocorre utilizando uma espécie de fermento que é mais ativo em temperaturas entre 18 e 20º C. Este processo é chamado de “alta fermentação”. Depois, a cerveja é engarrafada, mantendo o fermento e a maltose, ficando livre para fermentar dentro da própria garrafa, desenvolvendo seu aroma único. Tanto o sabor quanto o aroma continuam evoluindo, durante todo o tempo. E o resultado é a La Trappe: uma autêntica cerveja trapista.
Os monges trapistas já não trabalham mais na produção, mas continuam de olhos atentos em todo o processo e são os proprietários da marca registrada La Trappe. Somente se a cerveja é realmente produzida em um monastério trapista ela pode ser chamada de cerveja trapista. Uma garantia de autenticidade, técnica e tradição.
É sempre curioso assistir ao Fantástico aos Domingos. De minha parte, não consigo deixar de perceber a campanha antiesquerdista que a (mal)dita "revista eletrônica" faz, religiosamente, todos os domingos. Tal qual a igreja do bairro, a missa que o programa reza dominicalmente parece já ter sua "folhinha" escrita pela sede episcopal que fica lá longe, onde dizem haver um mundo civilizado.
Como não posso deixar de falar, vou só fazer duas referências curiosas que notei no programa deste último domingo, dia 16/12. O primeiro que queria citar, foi um quadro protagonizado por dois 'atorezinhos' mequetrefes intitulado "central de boatos" (ou algo que o valha). Como coincidência pouca é bobagem, os sujeitos foram à divisa entre Brasil e Venezuela e passaram a sugerir a hipótese de que a Venezuela enviaria tropas para invadir militarmente o Brasil e que nós não estaríamos suficientemente preparados para reagir o ataque venezuelano em função de nossas defesas estarem sucateadas. Por mais cômico que o quadro pretenda ser e mesmo que o mote do quadro seja o boato, é curioso ver como a Globo se esforça para esculhambar com as lideranças esquerdistas.
Como se não bastasse a brincadeira de mal gosto citada acima, o ilibado programa dominical ainda nos brindou com a presença de uma filha de uma relação extra-conjugal de Fidel Castro que fugiu para Miami e, em seu novo lar, sua principal função é cuidar para que outros cubanos tenham o mesmo destino. Neste caso, curioso foi ver como a reportagem pintava com as cores mais amenas possíveis todos aqueles cubanos que decidiram fugir para Miami em busca da liberdade "do lar dos bravos e terra dos livres". Chegou até mesmo a apresentar a imagem dos que deixaram Cuba e vivem em Miami como verdadeiras almas solidárias que desejam apenas salvar a vida dos coterrâneos que se aventuram a fazer a travessia entre Cuba e EUA nas piores condições possíveis. O problema aqui não é apresentar esse lado da história, mas sim, deixar de apresentar o outro lado da história que ninguém conhece. A história das máfias cubanas que vivem nos Estados Unidos desde que a revolução os enxotou de Cuba na busca de desestabilizar politicamente o regime para que eles possam voltar a tomar conta da bodega. Este é o problema. Mas quem se importa com isso, afinal? A opinião pública brasileira, graças à Rede Globo e seus programas "instrutivos", já tem uma idéia muito clara e bem fundamentada do que foi a revolução cubana, quem é Fidel Castro e o que é o comunismo, não é verdade? E sabemos que é por isso mesmo que este público tem informações suficientes para formar sua opinião sobre a situação política, econômica e social de Cuba, discernindo perfeitamente a razão por trás das deserções que tanto são noticiadas nos telejornais desta emissora. É claro, só pode ser porque o Fidel é um ditador, Cuba é socialista e todos invejam a liberdade dos EUA. Porque não matam logo o velho barbudo e fazem de Cuba mais um estado americano, hein?
Fazer o quê? Não podia esperar outra coisa vindo de quem veio, né? O que me incomoda é a apatia das esquerdas no Brasil que, ao que tudo indica, tenham realmente sucumbido ao poder e ao capital. LAMENTÁVEL!!!
É com grande prazer que comunico o lançamento oficial da nossa querida Revista Trialética. O lançamento se deu no dia 17/10/2007, no I EPEGH da USP. O EPEGH é um encontro dos pesquisadores de Graduação em História onde os alunos têm a oportunidade de apresentar os trabalhos que estão realizando ainda enquanto graduandos. Eu me inscrevi para participar do encontro com dois projetos: o da Memória da Imprensa, onde pesquiso uma revista integralista chamada Panorama, e com a Revista Trialética.
Para quem ainda não me ouviu comentando, a Trialética é uma revista de História e Humanidades produzida por um grupo de alunos da História que, no primeiro ano do curso, decidiu se organizar para produzí-la. A idéia era que a revista fosse escrita e produzida exclusivamente por alunos e ser um espaço aberto para que todos os alunos possam disponibilizar seus textos na revista. Queremos que ela se torne um instrumento de prática da escrita posicionado justamente entre a produção discente e a docente. O propósito é não sermos muito acadêmicos, buscando manter sempre o texto leve e o bom humor, mas sem abrir mão de uma certa seriedade em nossa produção.
Gostaria de afirmar à todos que, uma vez que a revista não foi impressa em quantidade para ser distrubuída, disponibilizamos no blog da revista (http://trialetica.blogspot.com/), um link para aqueles que desejam fazer o download na íntegra de nossa revista e lê-la no computador ou até mesmo imprimí-la em casa. De antemão autorizamos a utilização do conteúdo da revista livremente, desde que autor, revista e o site sejam devidamente citados nos textos.
Embora já esteja bastante atrasado, deixo aqui meu recado pro Luciano Huck e sua mina de olhos azuis. Preferi não gastar minhas próprias palavras, uma vez que a letra de um dos raps dos racionais fala tudo o que eu gostaria de falar.
CAPÍTULO 4 VERSÍCULO 3 Racionais MC's
Enfim, o filme acabou pra você A bala não é de festim aqui não tem dublê Para os manos da Baixada Fluminense à Ceilândia Eu sei, as ruas não são como a disneylandia De Guaianazes ao extremo sul de santo amaro Ser um preto tipo A custa caro É foda, foda é assistir a propaganda e ver Não dá pra ter aquilo pra você Playboy forgado de brinco: cu, trouxa Roubado dentro do carro na avenida Rebouças Correntinha das moça as madame de bolsa dinheiro: não tive pai não sou herdeiro Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal Por menos de um real minha chance era pouca Mas se eu fosse aquele moleque de tôca Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca De quebrada sem roupa, você e sua mina Um, dois nem me viu: já sumi na neblina Mas não, permaneço vivo prossigo a mística Vinte e sete anos contrariando a estatística Seu comercial de tv não me engana Eu não preciso de status nem fama Seu carro e sua grana já não me seduz E nem a sua puta de olhos azuis Eu sou apenas um rapaz latino-americano Apoiado por mais de 50 mil manos Efeito colateral que o seu sistema fez Racionais capítulo 4 versículo 3
É impressionante como a música tem a capacidade de ganhar significados a cada vez que as ouvimos. Há pouco descobri que não é porque não havia percebido este significado antes, ou ainda, porque as músicas mudam a cada vez que são interpretadas ou as escutamos. Descobri que na verdade somos nós que mudamos a cada vez que ouvimos essas músicas. E na bifurcação em que me encontro neste exato momento de minha vida, algumas músicas passam a ganhar significados ainda mais profundos do que os que elas já tinham. É justamente nesse contexto que o disco Ventura, do Los Hermanos, entra neste post. É impressionante a capacidade dos Hermanos de comporem letras de músicas que dizem exatamente aquilo que você está sentindo em determinados momentos de sua vida. O Vencedor, Cara Estranho e O Velho e O Moço são exemplos claros do que estou falando. Escuto estas músicas agora (literalmente) e parece que foram compostas para mim. Não tem explicação!!!!
As letras das músicas que reproduzirei abaixo não têm o intuito de servir como recado a ninguém. Representam apenas a livre-expressão da alegria do caminho que livremente escolhi para minha vida de hoje em diante. Nada mais que isso! Portanto, se alguém se sentir ofendido com este post, esta não era a intenção.
PS: PARA LER ESTE POST E ENTENDÊ-LO NA ÍNTEGRA, SERÁ NECESSÁRIO LER OS OUTROS DOIS POSTS QUE SEGUEM ABAIXO DELE: O VENCEDOR E O VELHO E O MOÇO & CARA ESTRANHO.
Um exemplo claro do que falei acima é a letra da música O VENCEDOR. Hoje ela representa para mim o fato de eu me conformar de não ser e, mais que isso, não querer mais ser um vencedor nos moldes que esta sociedade nos empurra e que há anos eu vinha engolindo, "vindo do lado oposto e sem gosto de viver", lutando até mesmo contra meus desejos mais íntimos. Foi justamente nesse sentido que aceitei ser um loser e aceitar que "faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz".
Los Hermanos - O Vencedor Marcelo Camelo
Olha lá quem vem do lado oposto
e vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
vive a esconder o coraçãoNão faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo,
mas não deixa ninguém ver
Por que será ?
Eu que nunca fui assim
muito de ganhar,
junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.
Já essa canção, num mesmo dia ganhou dois significados completamente distintos. Um para mim e outro para uma de minhas irmãs. No meu caso, a fala do velho representa justamente aquilo que pretendo evitar com a decisão que tomei alguns meses atrás e que acaba por se concretizar justamente hoje. Já a fala do moço representa exatamente aquilo que penso sobre o fato de eu tomar as rédeas do caminho que eu devo seguir. Ninguém mais, além de mim, deve "dizer o que é bom pra mim, dispenso a previsão". Mais do que isso, "o que sou (serei) é também o que escolhi ser, aceito a condição (e conseqüências)".
Los Hermanos - O Velho E O Moço Rodrigo Amarante
(O VELHO) Deixo tudo assim nao me importo em ver a idade em mim ouço o que convem eu gosto é do gasto
sei do incomodo e ela tem razão quando vem dizer que eu preciso sim de todo o cuidado
e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz quem então agora eu seria
ahh tanto faz e o que nao foi nao é eu sei que ainda vou voltar mas eu quem será?
(O MOÇO) deixo tudo assim nao me acanho em ver vaidade em mim eu digo o que condiz eu gosto é do estrago
sei do escandalo e eles tem razão quando vem dizer que eu nao sei medir nem tempo e nem medo
e se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for da errado
ahhh olha se nao sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim dispenso a previsão
ahhh se o que eu sou é tambem o que eu escolhi ser aceito a condição
vou levando assim que o acaso é amigo do meu coração quando falo comigo quando eu sei ouvir.
Cara Estranho
Pra fechar com chave de ouro, CARA ESTRANHO une as duas letras e sintetiza este meu longo desabafo: Não quero mais ter que "talhar a imagem de um rapaz de bem" para me tornar um "winner"; não quero mais me achar um estranho dentro de meu próprio corpo, ao ponto de não ser eu mesmo; em conseqüência, não quero mais que conduzam minha vida para um ponto onde, no fundo, eu não quero chegar; não quero que me apontem a direção em que devo ir e até qual ponto devo atingir nesse caminho; eu quero é "me encontrar", perceber que tenho fugido de mim, do que sou e do que quero ser e, por isso, venho escondendo um ódio dentro de mim. Um ódio que não é contra ninguém diferente de mim mesmo e que, com o passar do tempo, vai se voltando, de forma silenciosa, contra meu próprio corpo. É chegado a hora de deixar de lado "o cara da TV, que vence a briga sem suar e ganha aplausos sem querer". "Aceito a condição" de ser "o que escolhi ser:" o protagonista de minha vida, mesmo que para isso, seja necessário conhecer "a glória de chorar", e assim me tornar um verdadeiro vencedor, mesmo perdendo e apreciando as lições da derrota.
Los Hermanos - Cara Estranho Marcelo Camelo
Olha só, que cara estranho que chegou Parece não achar lugar No corpo em que Deus lhe encarnou Tropeça a cada quarteirão Não mede a força que já tem Exibe à frente o coração Que não divide com ninguém Tem tudo sempre às suas mãos Mas leva a cruz um pouco além Talhando feito um artesão A imagem de um rapaz de bem
Olha ali quem tá pedindo aprovação Não sabe nem pra onde ir Se alguém não aponta a direção Periga nunca se encontrar Será que ele vai perceber Que foge sempre do lugar Deixando o ódio se esconder Talvez se nunca mais tentar Viver o cara da TV Que vence a briga sem suar E ganha aplausos sem querer
Faz parte desse jogo Dizer ao mundo todo Que só conhece o seu quinhão ruim É simples desse jeito Quando se encolhe o peito E finge não haver competição É a solução de quem não quer Perder aquilo que já tem E fecha a mão pro que há de vir.
"Sim, minha convicção de ser de esquerda continua. Me posiciono fortemente contra o imperialismo e contra as forças que acham que fazem um bem a outros países ao invadi-los, e contra a tendência de pessoas que, por serem brancas, são superiores. Essas certezas eu não abandono."
Não fui eu quem disse ou escreveu a frase acima, mas aquele que é considerado, por muitos, o maior historiador vivo da atualidade: Mr. Eric Hobsbawn em entrevista a Silvia Colombo, para a Folha de S.Paulo deste domingo.
Pra quem não conhece essa banda paulistana de Cover do Pink Floyd, recomendo fortemente assistir a uma das apresentações que eles farão em S.Paulo no mês de outubro. Se excetuarmos o fator "aparelhagem", eu acho o Cover paulistano melhor do que o badalado australiano.
Datas Pink Floyd Cover em Outubro!!!
05/10 - O garimpo em Embu das Artes 09/10 - Wild Horse em Moema 18/10 - Café Piu Piu 25/10 - Morrison Rock Bar
A DIVERSÃO DOS MONGES QUE VIVIAM NO PAÍS DA COCANHA
FRANCO JR., Hilário. Cocanha: várias faces de uma utopia. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998
Para quem possa se interessar mais sobre a Cocanha, o professor Hilário Franco Jr. lançou, em 1988, uma coletânea com as traduções dos vários textos originais sobre o País da Cocanha que surgiram desde meados do século XIII até, pasmem, o século XX. O primeiro parece ter sido um francês, em meados do século XIII, que acabou influenciando os diversos outros que apareceram na Inglaterra, Alemanha, Holanda, Itália, Espanha e até mesmo no Brasil.
Abaixo, reproduzo um trecho fabuloso de um poema inglês sobre o País da Cocanha, escrito em fins do século XIII. A íntegra deste trecho pode ser encontrada no livro citado acima:
DE COMO OS MONGES SE DIVERTIAM NO PAÍS DA CONCANHA Extraído de O Poema Inglês: fins do século XIII in FRANCO JR., Hilário. Cocanha: várias faces de uma utopia. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998, pp. 42-45.
Recentemente, com o advento das aulas do segundo semestre, descobri um lugar maravilhoso existente desde o século XIII do qual eu nunca tinha ouvido falar. Chama-se Cocanha. É um mundo utópico onde quem trabalha menos ganha mais, onde as colinas são de queijo e correm rios de vinho tinto e vinho branco. Onde gansos com molho de alho vão caminham pela rua sendo assados e os porcos também já andam pelas ruas assadinhos, com uma faquinha nas costas pra facilitar. hehehe Neste local também encontramos a fonte da juventude, milhões de festas e, o melhor de tudo, o sexo é liberado quando e com quantas mulheres você quiser. Evidentemente, elas também estão liberadas para tal. Aliás, neste país a mulher fica mais honrada quanto mais ela se relacionar e satisfizer seus desejos. hehehehe
Considerando os locais utópicos que já me ofereceram, eu diria que o Paraíso acaba de sofrer um abalo em meus mais profundos desejos. Agora eu diria que o céu seria uma segunda opção. Eu quero mesmo é ir pra Cocanha.
Nem preciso falar muita coisa sobre a decisão do nosso amado senado sobre o caso do Renan Calheiros. Pior foi ver o Aloísio Mercadante explicando porque se absteve de votar. O PT realmente foi para o limbo.
O que me preocupa é a consciência de que quando as instituições caem em descrédito total da população, tal qual o que está ocorrendo agora, as possibilidades de um golpe de estado, com apoio popular, aumenta. Já vou colocando minhas barbas de molho...
Bastou o Bin Laden aparecer com outro vídeo nas TVs do mundo inteiro pra Globo, como boa representante do grupo estadunidense que domina a mídia global (desculpem o trocadilho), soltar um tal de Dossiê Hamburgo, do Geneton Moraes Neto, pra alarmar a população e jogá-la contra "esses fundamentalistas islâmicos que só fazem é atentados terroristas pelo mundo".
Quem ainda acredita que os motivos dos ataques às torres gêmeas no 11/09/2001 foram religiosos, está mais por fora do que bunda de índio, como já diria o Faustão, para usar um exemplo da casa. Todos sabem que as motivações dos ataques foram, sobretudo, políticas e econômicas. Insistir nessa luta da democracia contra o Islã é idiotice do Tio Sam para justificar os meios como tocam sua política externa. Quem assistiu ao programa e não tem o mínimo de cultura ou estudo sobre o caso (que julgo ser grande parte dos telespectadores do Fantastíco), só poderá formar uma posição crítica parcial e distorcida sobre o assunto, associando a religião islâmica aos motivos que levaram os terroristas a atacarem o WTC.
É triste constatar que isenção no jornalismo é algo que, se algum dia existiu, faz parte de um passado distante.
A GANÂNCIA DO CAPITALISMO APODRECENDO O CORAÇÃO HUMANO.
Na Austrália, a artista Priscila Bracks prova que não há limites para a loucura humana e expõe um quadro onde é possível, de diferentes ângulos, ver a imagem de Jesus Cristo, de um lado, e de Osama Bin Laden, de outro.
Só posso imaginar a possibilidade de alguém fazer um quadro como o fotografado acima pensando que a referida artista quer mesmo é causar polêmica e chamar a atenção para sua obra. Mais uma vez vemos a ganância do capitalismo apodrecendo o coração humano, fazendo-o ultrapassar limites nunca antes imaginados, aproximando modelos humanos incompatíveis apenas para ganhar dinheiro. Buscando o culto do personalismo mesmo que, para isso, seja necessário atacar e ofender os princípios mais elevados, que tem tentado tirar o homem da lama em que está chafurdando há mais de 5 mil anos.
Aproximar Jesus Cristo a Osama Bin Laden é realmente a última gota d'água que faltava para transbordar o copo da insensatez que domina nosso mundo atual. Eis a foto de nossa atual sociedade.
De que adiantam os testemunhos mudos dos livros, enquanto loucos no poder ignoram diariamente aquilo que de mais fino a humanidade tem produzido em seus parcos milênios de existência.
Seguramente a melhor notícia do dia de ontem não foi as medalhas de ouro ganhas pela equipe de natação e judô do Brasil, mas sim a morte de Antônio Carlos Magalhães, também chamado por seus colegas políticos de Toninho Malvadeza ou ACM.
Infelizmente este blog não tem a penetração popular suficiente para iniciar uma campanha para fazer com que alguém levasse ao velório e enterro do cidadão um cartaz com os dizeres QUEIME NO INFERNO, FILHO DA PUTA. Mas não custa nada tentar. Se você está lendo este blog em Salvador e quiser participar da campanha, basta preparar o cartaz e levá-lo muquiado no enterro de Malvadeza. Isso faria um bem enorme para o Brasil e a consciência de milhares de brasileiros.
Ontem os telejornais mostravam a trajetória política de Mavadeza e mais parecia um retrospecto de tudo o que um cidadão fez de errado em sua vida política. Falava de seu passado na UDN e na ARENA. O apoio ao golpe militar de 64 e a Fernando Collor de Mello, até o fim, mesmo quando já havia sofrido o Impeachment. Sua briga com Jader "Gervaralho" Barbalho e sua renúncia ao senado, pego no escândalo do placar eletrônico. Isso porque não falaram do coronelato que ele exercia com punhos de aço em seu curral eleitoral, Salvador. Espero que mais figuras como esta continuem morrendo e livrando o Brasil desse estigma político de corrupção e indecência.
Pra finalizar, deixo aqui meu desabafo de que pra quem não devia ter nascido, 79 anos foram demais para ACM e para o Brasil. Este é mais um que já foi tarde. Espero que esteja sentado no colo do capeta e QUEIME NO INFERNO POR TODA A ETERNIDADE, ACM FILHO DA PUTA.
Apesar de tocar Pink Floyd no meu casamento, pra mim, a melhor música foi aquela em que eu entrei na Igreja. Música dos Beatles, presente no melhor álbum do grupo de Liverpool, Here, There and Everywhere não tocou apenas a mim, mas todos aqueles que estiveram presentes no casamento. Deixo aqui a letra e a tradução livre que acabo de fazer dessa letra.
Here, there and everywhere
(The Beatles)
To lead a better life I need my home to be here Here, making each day of the year Changing my life with the wave of her hand Nobody can deny that there's something there There, running my hands through her hair Both of us thinking how good it can be Someone is speking but she doesn't know he's there I want her everywhere And if she's beside me I know I need never care But to love her is to need her everywhere Knowing that love is to share Each one believing that love never dies Watching her eyes and hoping I'm always there I want her everywhere And if she's beside me I know I need never care But to love her is to need her everywhere Knowing that love is to share Each one believing that love never dies Watching her eyes and hoping I'm always there I will be there and everywhere Here, there and everywhere.
Here, there and everywhere
(The Beatles)
Para levar uma vida melhor
Eu preciso que minha casa seja aqui
Aqui, fazendo cada dia do ano
Mudando minha vida com a onda da mão dela
Ninguém pode negar que existe algo ali
Ali, passando minha mão por seus cabelos
Ambos pensando quão bom pode ser
Alguém está falando mas ela não sabe que ele está lá
Eu a quero em todos os lugares
E se ela está ao meu lado, eu sei que não preciso nunca me preocupar
Mas amá-la é precisar dela em qualquer lugar
Sabendo que amá-la é compartilhar
Cada um acreditando que o amor nunca morre
Vendo os olhos delas e desejando estar sempre lá
Eu a quero em todos os lugares
E se ela está ao meu lado eu sei que não preciso nunca me preocupar
Acabo de fazer um teste de nerd na internet e, como não podia deixar de ser, adivinhem o resultado:
Resumindo: Alto nível de nerdice. De acordo com o site, deveria me inscrever para o MIT. hahahahahaha Mal sabem que meu destino é estudar História. heheheheh fuck off the MIT.