ENEH 2008 - SÃO JOÃO DEL REY
 FOTO: Roger Beier - Jul/2008
Cá estou eu, ainda vivo, depois de uma semana inteira no Encontro Nacional de Estudantes de História (ENEH). Este ano o encontro se deu na histórica cidade mineira de São João Del Rey, na rota da Estrada Real que liga Diamantina ao Rio de Janeiro e também a Paraty.
Se fosse resumir o encontro em uma única frase, concordaria com uma que foi inúmeras vezes repetidas durante o encontro: "aqui é onde se separam os meninos dos homens e as "muierzinhas" das "mulé".
É inegável que houve muita coisa de bom e proveitável no evento, como alguns minicursos, palestras e, é claro, a sociabilização com estudantes de história de todo o país onde, em nossas conversas, descobrimos a quantas andam o descaso de nosso governo com a Universidade Pública. Também não poderia deixar de citar a beleza do local onde nos encontrávamos. A encantadora cidadezinha de Tiradentes com sua praça mais do que aprazível e seus bares onde deixávamos, além de nossas parcas economias, as tardes passarem lentamente saboreando cervejas artesanais mineiras com porções de acepipes regionais e uma tal de provoleta que não há nem como descrever.
Porém, o que mais marcou no encontro foi uma certa decepção que tive com os colegas e futuros historiadores do país, além de uma sensação de que jamais poderemos educar pessoas se nós mesmos ainda não somos mínimamente educados para convivermos juntos, sequer por sete dias. Ali estava reunida a elite do que, em poucos anos, serão os educadores de todo o Brasil e a frase que não quer sair da minha cabeça foi a de uma das encarregadas pela limpeza dos banheiros do local dizendo que jamais deixaria que seus filhos participassem de encontros como aquele, além de temer pelo ensino que esses futuros professores poderiam dar para as crianças.
Não vou citar aqui os problemas crônicos que vi e que me decepcionaram tanto, porque me envergonho deles por ser parte do grupo que lá se reuniu. Mas definitivamente, depois deste encontro ficou claro para mim quem são os homens e os meninos da faculdade onde estudo. Ficou claro, também, que a tal revolução que imaginava ser possível realizar pela educação, a depender de nossos estudantes de escola pública, está bem mais longe do que pensava.
O que me anima, é que a maioria dos estudantes ficaram em seus estados natais, e que ali se encontravam bem menos do que 5% do total dos estudantes de História do país. Resta acreditar que nesses outros estudantes é com quem poderemos revolucionar a educação no país.
Escrito por Roger às 20h37
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