A EDUCAÇÃO PÚBLICA E A MÃO-DE-OBRA QUALIFICADA

Em artigo publicado na Folha neste último domingo (O Brasil do desemprego zero), Gilberto Dimenstein defende uma política educacional que priorize a formação de mão-de-obra para o mercado. Na manchete de seu artigo, Dimenstein destaca que 70% das maiores empresas brasileiras se ressentem da falta de mão-de-obra qualificada. Ao ler isso eu me pergunto: deve ser mesmo o objetivo de nosso Estado formar mão-de-obra para as "grandes empresas brasileiras"? É isso o que queremos para nossos filhos e netos, isto é, que sejam mão-de-obra qualificada e não indivíduos críticos cientes de seus direitos e deveres como cidadãos e capazes de reinvindicá-los quando esses mesmos direitos não são respeitados, como o direito por ter uma educação de qualidade, por exemplo, para o qual pagamos altíssimos impostos?

Muito me surpreenderia este artigo se viesse de alguém que realmente estivesse preocupado com a qualidade da educação pública. Mas como veio do Dimenstein, que por seus textos, parece ser uma pessoa ligada a uma ideologia política alienadora, em nada surpreende. Na verdade, o texto incomoda por irritar e deixar uma sensação de impotência, uma vez que forma a opinião de uma gama de leitores que jamais pensaram seriamente sobre o assunto e estão ávidos por arrebanhar para si a opinião de quem consideram um especialista no assunto. Afinal quem, de opinião diversa, tem espaço como este (semanal) no jornal de maior circulação do Brasil?

Pior ainda do que defender uma educação alienadora, é ver o dito "especialista" fazendo propaganda para as companhias em seu artigo. É triste ver os nomes de grandes empresas (cita nominalmente oito ou nove) mencionadas no texto como grandes investidoras que estão fazendo um grande favor ao país por se instalarem aqui, como se não ganhassem seus lucros exorbitantes com a exploração do país e dessa mesma mão-de-obra que o Dimenstein insiste em não formá-la criticamente. Depois, como se nada disso fosse suficiente, mostra o seu entrosamento com as políticas de governo do PSDB, ao defender desavergonhadamente a educação não-presencial como boa prática de educação. Sua principal argumentação é que o mercado de trabalho não faz distinção entre profissionais formados presencialmente ou a distância. Inacreditável.

Portanto, caro amigo, em seu artiguinho de péssima qualidade o Dimenstein nos pergunta para quê queremos educação de qualidade se, no final das contas, você vai ser um bom profissional do mercado. Nos assegura que podemos confiar em pessoas como ele para que estes sim pensem o mundo por nós enquanto o governo nos transforma em um bom profissional alienado e acrítico. Basta confiarmos nele. Você confia?????



Escrito por Roger às 11h30
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PAINEL DO LEITOR DA FOLHA

Domingão li algumas notícias na Folha que me incomodaram bastante. Especialmente uma que falava sobre uma professora que, para complementar sua renda, aceitava bico de traduções de filme pornô (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3005201012.htm). No mesmo caderno (Cotidiano), algumas folhas depois, lá estava o Dimenstein fazendo campanha para que nossa educação formasse mão-de-obra para as grandes empresas (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3005201026.htm).

Incomodado com ambas notícias, decidi mandar minha opinião à Folha de S.Paulo, que acabou publicando no jornal de domingo, mas, editou-o, publicando apenas minha primeira lamentação, deixando a crítica ao Dimenstein de lado. hahahaha

Aqui publico o comentário como o enviei e o comentário como publicado para evitar dúvidas sobre minha opinião real.

COMENTÁRIO COMO ENVIADO

Professores & Filmes pornográficos

Lamentável a notícia "Professora traduz filmes pornográficos" no caderno Cotidiano de 30/05. Infelizmente, para poder sobreviver, professores complementam sua renda submetendo-se a subempregos como este. Esta é a foto mais perfeita da política educacional de estados e municípios deste país que só cresce mesmo para as grandes empresas. Pior ainda foi ver Dimenstein fazendo publicidade gratuita para essas empresas e campanha para que o governo invista na formação de mão-de-obra para as mesmas. Duplamente lamentável!!!

José Rogério Beier

Analista de Segurança de Informações, 33 anos

São Paulo/SP

COMENTÁRIO COMO PUBLICADO NO PAINEL DO LEITOR

Pornografia
Lamentável a notícia "Professora traduz filmes pornográficos" no caderno Cotidiano (30/ 5). Infelizmente, para poder sobreviver, os professores complementam a sua renda submetendo-se a subempregos como este. Esta é a foto mais perfeita da política educacional dos Estados e municípios deste país, que só cresce mesmo para as grandes empresas.
JOSÉ ROGÉRIO BEIER (São Paulo, SP)



Escrito por Roger às 09h31
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