Happiness

Felicidade é o título de um poema inédito de Raymond Carver publicado no caderno Ilustríssima de 18/07/2010. Até hoje jamais havia ouvido falar deste escritor e este poema me chamou muito a atenção para a sua obra. Esperol que gostem tanto quanto eu.

Raymond Carver (1938-88), escritor e poeta americano, publicou em 1981, entre outros, a coletânea de contos "Iniciantes" ("What we talk about when we talk about Love", trad. Rubens Figueiredo, Companhia das Letras).

Os poemas (inéditos em português) que estão na edição de domingo (18/7) - e que aqui estão apresentados ao lado da versão original em inglês - foram tirados do livro "All of Us. The Collected Poems" (Vintage Books, 2000).

HAPINESS
by Raymond Carver

So early it's still almost dark out.
I'm near the window with coffee,
and the usual early morning stuff
that passes for thought.

When I see the boy and his friend
walking up the road
to deliver the newspaper.

They wear caps and sweaters,
and one boy has a bag over his shoulder.
They are so happy
they aren't saying anything, these boys.

I think if they could, they would take
each other's arm.
It's early in the morning,
and they are doing this thing together.

They come on, slowly.
The sky is taking on light,
though the moon still hangs pale over the water.

Such beauty that for a minute
death and ambition, even love,
doesn't enter into this.

Happiness. It comes on
unexpectedly. And goes beyond, really,
any early morning talk about it.

FELICIDADE
por Raymond Carver (Tradução Cide Piquet)

Tão cedo que ainda é escuro lá fora.
Estou perto da janela com o café
e tudo aquilo que sempre a essa hora
nos passa pela mente.

Quando vejo o rapaz e seu amigo
caminhando rua acima
para entregar o jornal.

Eles usam bonés e agasalhos,
e um deles traz uma sacola nas costas.
Estão tão felizes
que nem sequer conversam, os rapazes.

Acho que, se pudessem, estariam até
de braços dados.
É de manhã bem cedo
e os dois caminham lado a lado.

Eles vêm vindo, lentamente.
O céu está se iluminando,
embora a lua ainda paire sobre as águas.

Tanta beleza que por um instante
a morte e a ambição, até o amor,
não se intrometem nisso.

Felicidade. Ela vem
inesperadamente. E vai além, mesmo,
de qualquer discurso sonolento.



Escrito por Roger às 20h45
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