INCLASSIFICÁVEIS 2

Ontem, em uma reunião, algumas pessoas me explicavam um sentimento de identidade corporativa à qual eles diziam fazer parte.  Durante a própria reunião disse que, apesar de não acreditar em tais artificialidades, respeitava-os. Me parece muito estranho o fato de as pessoas não perceberem que criam identidades apenas para satisfazerem um desejo desesperado de que fazem parte de algo único, que os distingue do resto da humanidade.  No fundo, essa tal característica não os distingue de nada. Nós, humanos, somos todos iguais até mesmo nesse raro desejo de unicidade. Basta ver as inúmeras identidades que criamos para nos definirmos.

Seguindo as identidades eu poderia me auto-denominar latino-americano, sul-americano, brasileiro, paulista e paulistano quanto à geografia; no quesito estudantil, eu seria um uspiano, mas não só, seria também um fflchiano, porque é diferente, afinal sou comunista, faço greves, não tomo banho, não corto as unhas e uso sandalhas fedorentas feitas por hippies hahahahaha. No quesito futebolístico, sou santista e torço para o Brasil durante a copa do mundo; já no quesito étnico, bem, como todo brasileiro, sou mestiço (como se apenas os brasileiros fossem mestiços). Enfim, acho que já cheguei ao ponto que queria. Será possível discutir identidade corporativa? Quando alguém vira para mim e diz que a característica que os distingue da concorrência é a sofisticação fico imaginando: o que é sofisticação para você? Será que em toda a concorrência não existe ninguém sofisticado? Será que o que você não acha sofisticado na concorrência, a própria concorrência não acha sofisticado nela mesma? Enfim, artificialismos que tais como todos os outros, são equivocados. Vejamos uma lista abaixo:

Um brasileiro tem que gostar de futebol e samba, comer feijão, ser descontraído e festeiro.

Um paulistano tem que gostar de trabalhar, estar sempre atrasado, conversar sobre trânsito, conhecer rotas alternativas e não parar nunca.

Um fflchiano tem que ser comunista, fazer greves, não tomar banho, não cortar as unhas, usar artesanatos hippies como bolsas, sandalhas e chinelos feitos em couro e fedorentos.



Escrito por Roger às 14h48
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